Opinião – Um secretário de Estado amigalhaço

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LUIS SANTARINO

Luís Santarino

Os finais de ano são prósperos em surpresas. O secretário de Estado da Saúde prestou um grande serviço a todo o interior do País, ao dizer que os portugueses deverão melhorar os seus hábitos para que tenham mais saúde. Ou seja, para que o SNS se torne sustentável, os portugueses deverão deixar de fumar e de beber. Ou no limite, beber menos e fumar pouco! Verdade.

Não tenho a certeza que o senhor Ministro das Finanças tenha sido informado, atempadamente, da sua comunicação/informação. Se o tivesse sido, ter-lhe-ia dito; “cala a boca c’a gente precisa do caroço”!

Imagino “a malta das cervejeiras e da tabaqueira” aos saltos e a gritar; “cala a boca pah, não sabes o que dizes”! Queres acabar com as “Queima das Fitas, as festarolas de Verão e outras coisas que tais”? E depois “quem te paga o ordenado”, o motorista e as mordomias”?

Também o Senhor Ministro da Saúde deve estar pior do que uma barata. Só de pensar o que os autarcas do interior do País vão pedir, “dá-lhe uma coisinha má”!

Ninguém ficou imune ao que se passou em Oliveira do Hospital, cidade do interior como os governantes sabem, ou no mínimo, calculam.

Os cidadãos do interior do País serão, porventura, os que menos usufruem do SNS. Levantam-se cedo, trabalham de sol a sol, depois ainda têm as terras para amanhar, alimentam-se melhor do que ninguém e ainda ajudam a alimentar o litoral e as grandes cidades.

Acham mesmo – que remédio têm eles – que o trabalho faz bem à saúde!

Não se percebe que estejam quase ao abandono. Que seja preciso vir de outras localidades, o auxílio que na sua cidade, concelho e área geográfica deveriam ter.

A ser verdade o que o diretor do Hospital de S. João afirmou, e podendo-se replicar a nível nacional, não restam grandes dúvidas que a despesa está mal distribuída.

Todos já percebemos que o Senhor Ministro da Saúde está a léguas de distância de todos os outros Ministros. Percebo que não consiga chegar lesto a todos os problemas. Mas também não tenho dúvidas que, se quiser, e “der asas ao seu Secretário de Estado”, a “coisa” resolve-se rapidinho!

Menos conversa e mais trabalho!

Coimbra, como capital de distrito, e, sem grandes dúvidas, a futura capital da região Centro, deverá transmitir a sua solidariedade aos autarcas do concelho de Oliveira do Hospital. Poderá não ser muito, mas o suficiente para transmitir que não há região com iniciativa e determinada no seu futuro coletivo, sem a participação de todos.

Não conseguimos construir uma autoestrada para Viseu, uma via rápida para Oliveira do Hospital, demos cabo do “comboio da Lousã”, andamos a pagar autoestrada para a Figueira da Foz enquanto outros “viajaram à gola” um ror de anos, etc, etc, etc.

A zona centro tem sido muito prejudicada. Por sermos demasiado benevolentes, ou porque outros interesses se sobrepõem? Ou por ambos? Está na hora, ou quase de dizer basta! De assumir a nossa centralidade e a nossa qualidade.

Não sendo nem melhores nem piores, seremos necessariamente diferentes! Assumamos essa diferença e construamos o futuro.

Os cidadãos exigem-no…e julgar-nos-ão!

Pelo menos, por agora, melhorar os meios de socorro no interior, já seria um passo importante!

2 Comments

  1. Henrique Costa says:

    Gostei da parte da falta de bairrismo em Coimbra, de capacidade de lutar por objectivos regionais. Olhem para a Madeira, endividou-se, continua a endividar-se mas tem obra feita. A mais sem dúvida mas está lá. Nós, em Coimbra, só temos mesmo é as dividas de Lisboa, Porto e em muito menor dimensão as da Madeira, para pagar!

  2. Rui Cunha says:

    Muito bem, mas… Muita retórica e pouca ação! Melhorar os meios de socorro em Oliveira, como?

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