Opinião – Vencer uma batalha!

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15072010 JOSE COUTO PRESIDENTE DO CONSELHO EMPRESARIAL DO CENTRO

José Couto

Escrevo estas linhas ainda antes de se conhecerem os resultados da colocação de dívida pública nos mercados, mas olhando para o que aconteceu nas últimas horas, não é difícil adivinhar o que se passará nestes dias.

Não faltarão aqueles que rejubilarão com o regresso aos mercados anunciando a vitória da estratégia política preconizada pelo governo, a que responderão com tanta ou mais veemência os que defenderão que se tratou de uma operação sindicada e portanto ainda não completamente aberta aos mercados, a par dos que virão apontar a Irlanda, ou o apoio europeu, como o farol que indicou o caminho e suportou a operação, valorizando a tese de que foram os parceiros europeus, e não o nosso governo que conseguiu este feito.

Em boa verdade é um feito, e um assinalável! Ainda há uns meses ninguém acreditava que em Setembro de 2013 conseguíssemos emitir dívida nos mercados como previsto, e no entanto, oito meses antes, emitimos dois mil milhões de euros a cinco anos.

É uma vitória, é inquestionável, mas o percurso ainda é longo. Que este tipo de acontecimento não nos tolde a visão e não nos permita focalizar o crucial: a recuperação económica e a alteração do paradigma das obrigações sociais do estado, o que temos que temos que fazer para promovermos a competitividade e a sustentabilidade da economia do país.

A questão da Irlanda não entra aqui por acaso, e contribui muito para perceber se estamos a falar da luz ao fundo do túnel ou não, se é o princípio da recuperação, ou se para as empresas e famílias as coisas mudarão a partir de agora. É que há uma diferença fundamental entre os dois Países e a sua evolução: Portugal até corre o risco de colocar dívida a um preço inferior ao Irlandês, mas ainda nos é pedido um ajustamento de vários milhares de milhões de euros, que se prolongará para 2014, e a nossa economia continuará a contrair e a destruir empresas e emprego, quando na Irlanda já se iniciou uma trajectória de retoma e de crescimento.

Na parte que falta seria bom se conseguíssemos acompanhar a Irlanda, seria sinal do nosso crescimento económico, única fora de tornar sustentável o nosso esforço. De facto os progressos portugueses são indissociáveis dos irlandeses, mas é uma profunda injustiça não valorizar o esforço a que todos, empresas e famílias, têm sido sujeitos em Portugal, talvez pior é nada fazer para que esse esforço seja consequente.

Estamos a meio da ponte! Vinte e dois meses depois conseguir voltar aos mercados é uma vitória assinalável. Mas ainda só ganhamos uma das primeiras batalhas que nos faltam ultrapassar para vencer esta guerra…

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