Opinião – Sintomas deste tempo

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DSC00440António Augusto Menano

Há dias fui a um supermercado fazer compras, estava à espera de pagar, quando ouvi a funcionária perguntar ao cliente anterior, se desejava arredondar, para um hospital. “É um hospital de quê?”.”De crianças.”Não. Não quero. Ainda se fosse de malucos, que é para onde iremos todos”. Fiquei a pensar na resposta. Traduzia, de um modo arrevesado os sentimentos de infelicidade e desconfiança que estão a envolver o povo português. Passados dias, fui até à “bandeira” miradouro na Serra da Boa Viagem. Estava a repousar o olhar na paisagem, a mancha de pinhal e a costa que se estende em frente, quando se me dirigiu um desconhecido. Teria uns sessenta anos. Meteu conversa, afirmando que a Figueira era mais rica do que a sua terra, Viseu. Muito comércio, uma estrada, feita, segundo ele, por Santana Lopes, a ligar a Figueira ao Cabo Mondego.

Às minhas objeções, retorquiu que havia muitos centros comerciais, empregavam muita gente, e o pequeno comércio iria acabar, e sabia o que dizia relativamente à marginal, porque ouvia televisão. Não percebia era porque não tinham construído uma estrada da praia de Quiaios, pela costa, até Aveiro. Desisti de o contradizer, percebendo ser difícil combater uma mentalidade moldada por anos de propaganda e de mentalidades seduzidas por obras e critérios desfasados da nossa realidade.

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