Opinião – Morreu toda a família do António!

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Rita Rato

Rita Rato

O Governo quis novamente fazer os portugueses de parvos. Sobre o chamado “Relatório do FMI” primeiro fez de conta que ficou surpreendido, dizendo que nada tinha a ver com o assunto; depois logo se apressou Passos Coelho a dizer que isto não é uma “bíblia” mas antes um documento para estudar; por fim veio dizer que afinal houve membros do Governo profundamente envolvidos na sua elaboração.

A estratégia e objetivo em torno deste Relatório lembram aquele ditado do povo sobre a morte do pai do António e da necessidade de lhe dar a notícia. A notícia era dolorosa, ninguém a queria dar. O Zé ofereceu-se para tal, dizendo ao António que tinha acontecido uma desgraça e que toda a sua família tinha morrido. O António ficou de rastos. Depois o Zé disse-lhe que afinal não tinha sido toda a família, mas apenas o pai. E o António ficou mais aliviado, pois podia ter sido bem pior. Assim fez o Governo com o dito Relatório da Troika.

O Governo também aproveitou o Relatório da Troika para tentar apagar da cabeça das pessoas os efeitos do início da concretização do pior Orçamento do Estado desde os tempos do fascismo: degradação da Escola Pública e do SNS, roubo nos salários e pensões, empobrecimento e miséria na vida de milhares e milhares de portugueses.

Se dúvidas ainda restassem sobre estas medidas e este caminho, está mais que provado que a exploração e o empobrecimento do povo e do país, para servir a banca e o grande capital nacional e estrangeiro não resolve qualquer problema, apenas os agrava.

É o próprio Relatório da Troika que afirma que o Governo não tem feito outra coisa que não seja despedir trabalhadores na Administração Pública; cortar no subsídio de desemprego, no abono de família e noutros apoios sociais; cortar nos salários e nas reformas; aumentar taxas moderadoras e outros serviços que deveriam ser gratuitos.

Na verdade, é nas funções sociais do Estado que estão a cortar, enquanto aumentam a despesa do Estado com milhares de milhões de euros pagos em juros da dívida, com os apoios diretos à banca e com as rendas entregues aos monopólios por via das PPP´s.

É por estas e por outras, que o dito debate sobre a “Reforma do Estado Social” é um embuste. Querem enganar o povo para que aceite como natural viver na miséria, ao mesmo tempo que um punhado de banqueiros e outros capitalistas acumulam fortunas e privilégios.

Desenganem-se! A luta pela derrota do Governo e por uma política patriótica e de esquerda vai continuar! Nesta luta são necessários todos aqueles que não se conformam com este caminho de desastre nacional, que não aceitam o ataque aos direitos, a submissão ao diretório europeu e a alienação da soberania nacional.

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