Opinião – Moção de censura

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FERNANDO SERRASQUEIROFernando Serrasqueiro

É incontornável. Abriu a caça ao atual sistema social vigente. Pedro P. Coelho tem uma visão para o nosso país . Deu a conhecer a sua opção ultraliberal através do seu livro “Mudar”, publicado antes da assinatura do memorando da troika. Daí que considere que esse memorando não é uma bússola a seguir mas a justificação para as opções tomadas antes. De tal forma assim é que tem havido necessidade de ir além da troika.

A discussão à volta da redução da TSU e a agitação que provocou fez cessar a primeira fase do executivo e o governo entrou em coma.

Havia necessidade de recarregar baterias e logo encontrar uma justificação para regressar à vida, para novos avanços nesse terrorismo político e social que é a redução drástica do Estado.

A discussão sobre a redução de 4000M€, sem explicar como se chegou a este número, deu início a uma nova fase sobre a denominação, inapropriada, da refundação do Estado. Sabe-se que as funções tradicionais do Estado não se resumem à atividade de produção de serviços, mas é sobre esta que unicamente o governo se debruça.

Nada melhor do que encomendar ao FMI um relatório justificativo mas que logo na pagina 5 denuncia os seus autores escondidos, os membros deste governo.

É a grande afronta de 2013 a Cavaco Silva. Quando este abre o ano com um discurso, cheio de contradições, mas em que avulta o diagnóstico crítico da atividade governativa, sintetizado na frase “espiral recessiva” que precisa de ser rompida, somos confrontados com o prolongamento da receita

Esperavam-se iniciativas do, moribundo, ministério da economia, mas, antes, surgem novas propostas que acrescentam recessão à “espiral recessiva”. Esta é a resposta contrária e também uma provocação ao país para gerar um tumulto generalizado.

Rompe com equilíbrios de longo tempo, afasta-se de todos os consensos políticos e sociais e transforma o documento do FMI num novo programa de governo, carregado de inúmeras inconstitucionalidades.

Todo esse relatório foi construído na base duma cegueira sobre a diminuição da oferta de serviços públicos e na redução de meios, designadamente funcionários públicos. Esta revolução social em marcha até vai contra a doutrina social da Igreja, tal o tipo das alterações defendidas.

Que dirá deste estudo a Diretora Geral do FMI, que tem vindo a defender a necessidade de políticas que promovam o crescimento?

O PS, enquanto maior partido da oposição, não pode ficar indiferente a este debate, nem colocar-se numa posição fixista, na defensiva, mas também tem de ser claro quanto à defesa da sua matriz central, de forte componente social ,que não pode ser descaraterizada.

A avançarem as mais radicais medidas desse relatório a resposta tem de ser firme e ajustada à importância das decisões sobre o futuro de Portugal. O PS deve avançar, agora sim, com uma moção de censura.

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