Opinião – Lembranças à volta de uma manifestação

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JULIO MARQUES MOTAJúlio Marques Mota

Fui a Lisboa, fui à manifestação dos professores contra a política do ensino que um bando de mentecaptos menores tem andado a organizar , de ladrões de civilizações, de conquistas sociais, de direitos muitas a vezes a sangue conquistados e que, agora, por estes mesmo senhores são chamados de privilégios concedidos.

E esta organização é dirigida a um escalão intermediário pelos homens da Troika, aqui, em Atenas, em Dublin, em Chipre, em Madrid, em Roma, Troika esta que é a plataforma intermediária de ligação ao centro da decisão e do controle sediado em Bruxelas , com uma central eléctrica em Frankfurt, no BCE e depois no Bundesbank. E é aqui que estão os novos manipuladores e têm como nome Durão Barroso, que as gentes pobre de Almada não esquecem e até o quiseram sovar, o poeta de versos pequenos, Herman von Rompuy, o homem da Goldman Sachs, Mário Draghi e veremos quem é o patrão do Eurogrupo.

Fui a Lisboa, onde muita gente, entre os 35 e os 55 anos se manifestou. Dos jovens entre os 25 e 35 nem vê-los, o que é pena, porque serão estes as maiores vítimas do sistema que homens como Crato, antigo maoista penso, andam meticulosamente a montar.

Mas curiosamente, por efeitos da crise não apanhei um táxi para me levar à estação da CP na minha caminhada para Lisboa, não, apanhei um autocarro dos transportes públicos. Poupei 5 euros com essa opção. Quando o dinheiro falta são os serviços que passamos a não utilizar as primeiras vítimas dessa precariedade . Ora, estes serviços são, fortemente utilizadores de mão-de-obra, por unidade monetária de serviço prestada. Consequência, com a crise é o sector serviços que cai automaticamente. Como se isso não chegasse, arruma-se-lhes ainda com um IVA de 23 por cento e damos cabo do sistema, a caminho da sua regeneração. E entretanto, o desemprego dispara, os rendimentos caiem abruptamente, a procura contrai, o sector serviços cai ainda mais ainda e a espiral recessiva continua o seu caminho trágico.

Mas é aqui que não se entende os altos cientistas do FMI. Qualquer cidadão, munido do mínimo senso-comum, sabe isso, mais ainda, sabe que quanto mais baixo for o rendimento maior será essa reacção recessiva, maior será a reacção desencadeada por cada contracção inicial , maior será o multiplicador de rendimento à baixa. Sabe-se tudo isso e levam estas luminárias do FMI, pagas a mais de 500 euros por dia, quatro anos sucessivamente a enganarem-se.

Como diz um analista financeiro, quando uma economia cresce baixa então fortemente o peso do consumo em pão para um consumo crescente em bens e serviços não fundamentais, mas quando a economia entra em queda livre, como é agora o caso, teremos o movimento inverso. Com a economia em expansão deixa-se facilmente de comer sete pães por um corte de cabelo num cabeleireiro de luxo em que se gasta um valor equivalente ao gasto de 10 pães, a economia dos 7 pães que se deixaram de comer, e o dinheiro equivalente aos três adicionais cujo dinheiro provém do endividamento. Não, o planeta deles não é o mesmo que o nosso mas enfim, é a eles que nós deixámos que nos governem. Agora que o FMI confessa o “seu erro” que fazem os nossos políticos? Nada.Que raio de políticos andamos a eleger para nos governarem, assim!

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