Opinião – Independentes?

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LUIS SANTARINOLuís Santarino

Ninguém pode afirmar, a não ser que queira faltar à verdade, que é independente em absoluto.

Todos os dias lemos, escrevemos, opinamos nos mais variados cenários, colocamos interrogações aos nossos atos. Cada um tem a sua forma de pensar, o que determina que, mais à direita ou mais à esquerda todos se revêm, pelo menos eleitoralmente, num partido político.

Os independentes de direita e de esquerda aqui não cabem. Cabem só, tão só os que, não querendo sujeitar-se a uma disciplina partidária sem perder a sua independência de pensamento, acham que a sua verdade é única, pura e absoluta.

A sociedade portuguesa vive numa enorme angústia.

Todos afirmam que estamos a “exportar” os nossos mais jovens talentos. É verdade. Mas também é verdade que, se têm a coragem de sair é porque alguém por essa europa fora precisa deles “como pão para a boca”! Mas ainda cá ficam muitos!

São jovens com grandes qualificações em várias dimensões, fruto de um ensino que tem como base de sustentabilidade o Orçamento Geral do Estado. Que bom é perceber que o ensino em Portugal é para todos e não só para “alguns! Não queremos que o “velho” tempo regresse!

Um grito de alerta; o contrário parece começar a verificar-se!

Jovens que abandonam os estudos por incapacidade económica, associações de estudantes mais preocupadas com festarolas do que com o apoio aos seus colegas, universidades sem apoio suficiente – ou suficiente e mal geridas – “sustentam-se” com o trabalho dos seus mais jovens investigadores, empresários exploradores e parasitas oferecendo salários miseráveis.

Que resta então aos jovens senão abandonar o País? Encontrar trabalho, dignidade e dignificação em outros países?

Para o político “curriqueiro” a troika é a “mãe de todos os males”.

A forma ignóbil como alguns políticos trataram a “coisa pública”, como se denominará? Os partidos políticos, todos, não estão isentos de culpas.

Uns, os partidos políticos do “acro do poder” porque na ânsia de ganhar eleições e de um poder efémero para “dar de comer a umas clientelas”, prometeram o que não podiam dar. Outros, à esquerda e à direita, porque nunca se preocuparam em criar um discurso alternativo mobilizador dos cidadãos, evidenciando uma enorme incapacidade discursiva. Outros ainda, os sindicatos que sempre se preocuparam em reivindicar o impossível, para conseguir esse mesmo impossível, assumindo-se como “correias de transmissão”!

No fim da linha estavam os cidadãos. Satisfeitos pelo que lhe davam de “mão beijada” partidos e sindicatos, lá viviam cantando e rindo.

O abutre estava à espreita!

A troika não é formiga nem o Povo a cigarra, mas o abutre estava à espera, à espreita, pacientemente, de uma morte anunciada. Os abutres existem. Existem mesmo. Em Portugal também. Aliados à troika mantêm-se ricos e anafados. De todas a cores e sem vergonha.

Preocupam-se os cidadãos que recebem ordenados e pensões abaixo do limiar da decência. Foram esses os mais explorados da sociedade.

Não me preocupo com os que detiveram sempre privilégios. Esses foram seguramente os que melhor viveram e continuarão a viver, mesmo que a crise lhes doa!

A defesa do emprego, dos jovens que desejam prosseguir os seus estudos, dos cidadãos que querem reaver a sua casa, de uma escola solidária, de uma saúde que não discrimine, são os pressupostos de um novo futuro em Portugal.

Sem abutres!

 

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