Opinião – Esta Coimbra dos afectos: mensagem de esperança

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Helder_rodriguesHélder Rodrigues

1. Um telefonema na tarde fria. A tarde estava fria e chuvosa. O café cheio de gente, Preocupado com a situação que estamos a viver e para a qual é urgente encontrar uma saída. A nossa mesa de amigos não fugia à regra. De repente o telemóvel tocou, como uma lufada de ar fresco. Era o Carranca!

-Então, pá, não vens! Não vens à Figueira? Traz malta amiga!

Eu já sabia. Ele já me tinha dito, no Facebook. A apresentação do seu ultimo livro “ O Classissismo em Unamuno e Torga”. Um encontro de amigos onde o espírito de Coimbra era o traço de união. É nos momentos de crise que a amizade é mais necessária e que a solidariedade fala mais alto. Um telefonema destes era uma ordem. Vinha na hora certa.

Rapidamente chegámos a consenso; Íamos todos! Pagámos os cafés, pegámos no carro e abalámos em direcção à Figueira da Foz.

2. Carlos Carranca. Um arauto da Liberdade.

No caminho falámos sobre o Carlos Carranca, o Carranca para os amigos, e na sua forma de estar na vida. Professor do ensino superior, poeta, ensaísta, declamador, autor e interprete da Canção de Coimbra. “Um Homem das arábias” como diz, carinhosamente o Dr António Arnaut. Profundamente arreigado à sua terra de adopção, Coimbra, onde viveu e estudou na sua juventude. Apaixonado que se revela contra a mesquinhez do Mundo e cavalga, à procura de si e de um Mundo melhor!

Uma frase que o define; “Tenho pena de quem se alimenta apenas da realidade. Eu vivo da utopia. Preciso dela, para sonhar e ir mais além”.

3. Miguel Unamuno e Miguel Torga. O Auditório Municipal da Figueira da Foz estava cheio quando ali chegámos. Carranca falava sobre o Livro que é uma dissertação da sua tese de doutoramento. Uma homenagem a; Unamuno e Torga. Dois irmãos na sua genuinidade. Perfeitamente actuais. Que é urgente revisitar.

“Somos agora; europeus de 1ª, espanhóis de 2.ª, portugueses de 3.ª “ (Miguel Torga, quando aderimos à CEE)

4. O espírito de Coimbra. Seguiu-se depois o Fado de Coimbra através da actuação do prestigiado Grupo Raízes de Coimbra com Octávio Sérgio, Rui Pato, Humberto Matias. Mário Rovira e Heitor Lopes. O próprio Carlos Carranca cantou com a sua voz forte e apaixonada. Foram recordados Pinho Brojo, António Portugal, Luís Goes, António Bernardino.Lá estavam também, a Isabel Garcia e o José Alberto das Edições Minerva que editaram o livro. Lá estava o Mário Silva, que tem pintado Coimbra de forma admirável ao longo de mais de 50 anos. Lá estavam tantos outros, que enchiam o vasto Auditório, com o espírito de Coimbra.

4. Uma Mensagem de Esperança. Numa altura em que o País em geral, e a Região Centro em particular, foram assolados por uma catástrofe da mãe natureza que se vem somar à crise económica que anda por aí, não podemos deixar de transmitir uma mensagem de esperança. Esperança alicerçada em valores como o amor, a amizade, a solidariedade, os valores morais e humanos que nos animam. Mas também de acção, de liberdade, de justiça que defendemos com o mesmo ardor. Só eles, podem transformar o Mundo em que vivemos.

Somos aquilo que conseguirmos fazer com a nossa vida. É daqui até à morte que podemos provar aquilo que somos e que valemos. E como diz Luís Goes: “Tu que tens esperança e amor para dar, canta bem alto que o Céu está aqui!”

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