Opinião – Antoni Dobrowolski

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Paulo Almeida DRPaulo Almeida

Este Domingo comemorou-se o sexagésimo aniversário da libertação de Auschwitz. Este é o primeiro aniversário comemorado depois do falecimento, em Outubro do ano passado e com 108 anos de idade, de Antoni Dobrowolski, o último sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, preso em 1942 por dar aulas de polaco clandestinamente, actividade proibida pela Alemanha nazi para evitar difusão dessa cultura.

Nunca é demais recordar o Holocausto. A memória dos horrores deverá para sempre ser lembrada, no mínimo como forma de ultrapassar todos os tipos de ódio e racismo. Ao extermínio a que o povo judeu foi sujeito (o mais atingido de todos), somou-se o dos ciganos, povos eslavos, pessoas deficientes, homossexuais, crianças, para além dos adversários políticos e muitos outros. Neste contexto parece óbvio pedir que honremos a cada minuto que passa a vida de cada homem e de cada mulher. Lembrar Auschwitz é lutar por uma cultura de vida e promover o respeito e a dignidade da pessoa humana.

Dizê-lo é fácil. Trabalhar com afinco diariamente para manter este objectivo é mais difícil. A consequência de ficarmos de braços cruzados a ver nascer o ódio, é assistirmos depois à vergonha do triunfo do mal. O genocídio na antiga Jugoslávia é exemplo disso no território europeu. Infelizmente, no resto do mundo não faltam casos da mais violenta desumanidade perante os quais não podemos ficar indiferentes. Faço votos que o Tribunal Penal Internacional consiga, com a ajuda de todos, continuar a julgar os crimes de guerra, genocídio e contra a humanidade, independentemente do local onde ocorram. Como por exemplo os ocorridos no Sudão, na região de Darfur, e que conduziram a uma “catástrofe humanitária”, usando as palavras de António Guterres, proferidas em Setembro de 2006.

De volta à Segunda Guerra Mundial e à razão de ser deste texto, agradeço hoje (e sempre) a quem lutou para derrotar o nazismo. Lembro ainda os que tudo arriscaram para salvar outros seres humanos. Recordo, portanto, heróis como os diplomatas Aristides de Sousa Mendes, Carlos Sampaio Garrido e Alberto Teixeira Branquinho. Com o passar do tempo, é cada vez mais só nosso o dever de honrar a mensagem de esperança que a vida dos sobreviventes do Holocausto trouxe ao mundo.

Este último Domingo foi um dia para lembrar todas as pessoas que, nalgum momento, viram o mundo olhar para o lado ou a esquecer-se delas. No passado, a acção demasiado tardia custou milhões de vidas e deu-nos a conhecer uma maldade que espero que nunca regresse. Este último Domingo foi igualmente dia de rever “A Vida é Bela”, o filme de Roberto Benigni que nos faz acreditar que nunca seremos servos de ninguém e que transporta uma mensagem de esperança e de amor que, todos os dias, deve ser transmitida para evitar vítimas futuras.

 

2 Comments

  1. Marechal Saldanha says:

    O que escreve o ilustre Autor do texto é um pequeno retrato da maior tragédia da Europa em mais de três mil anos de brilhante História europeia – apesar das frequentes guerras civis(entre europeus). O principal responsável(dessa maior tragédia),o desiquilibrado Adolfo Hitler e a sua nociva acção – e foram demasiados os autores menores – provocou na Europa um trauma que a está a destruir(a Europa europeia) desde o fim da II Guerra Mundial. Note-se, porém, que a Europa entre 1914 a 1950 auto foi numa ruína generalizada, mesmo sem falar na Guerra Civil espanhola(1936-1939) e o famoso colapso da Bolsa de Nova Iorque a partir de 1929 – que ajudou o psico Hitler a subir ao Poder, com a sua SA e associados.

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