Opinião – Alternativa

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LUÍS PARREIRÃOLuís Parreirão

Agora que o novo ano começa e que, como já aqui se disse, o viver sem esperança da generalidade dos portugueses se torna mais insuportável e perigoso a cada dia que passa, é tempo de todos podermos ajudar a construir uma nova esperança, que o mesmo é dizer, a construir alternativa.

A última sondagem do jornal Expresso ( 16/11/2012 ) revelava que 37% dos portugueses votaria nos partidos que apoiam o governo e 54,5% votaria nos que se lhe opõem. Destes, 35% votaria no Partido Socialista.

Estes resultados, o momento histórico que vivemos, as mudanças que o mundo conheceu após 1989, a orfandade política em que o actual governo deixou uma parte do seu eleitorado social-democrata, desafiam o PS para uma nova abordagem aos cidadãos que votam “à esquerda” e aos partidos à sua esquerda.

Verdadeiramente o que poderá estar hoje em causa é o desafio da reconstrução da esquerda para os próximos anos.

Não é mais possível ter 20% do total do eleitorado que não só não contribui para a governação como, mais preocupante, pode, por força das dinâmicas sociais, ser atirada para fora do sistema político.

Ou, se quisermos ver o problema numa perspectiva global do eleitorado de esquerda, 40% dos que votam à esquerda não transformam o seu voto em soluções de governo.

Quem lidera a esquerda tem hoje a obrigação de alterar tal situação. Existem hoje as condições históricas e sociais para o poder fazer, condições que a realidade teima em transformar em imperativo.

É urgente fixar um compromisso político claro e sintético (dez pontos?) para um governo alternativo em Portugal. E é urgente confrontar os outros partidos, e, sobretudo, os seus eleitores, com a necessidade de, com os seus votos, contribuírem para tal alternativa. É igualmente imperioso não permitir que se consolide na sociedade portuguesa uma minoria de protesto que representa um quinto dos cidadãos.

Não se trata nem de uma negociação, nem de cedências ideológicas. Bem antes pelo contrário! O que é necessário é, mobilizando a inteligência e os sectores mais dinâmicos e qualificados da sociedade, construir um projecto alternativo, diferente e inovador que, mais do que combater o actual governo, afirme o que um novo e alternativo governo deve fazer.

O país requer e exige tal projecto. A esquerda, as esquerdas, têm que assumir as suas responsabilidades. Ao PS exige-se a rápida formulação das alternativas, a liderança e mobilização de todos os eleitores que entendem que é possível construir uma sociedade mais justa e equilibrada, a construção e afirmação de uma proposta política clara, credível, exequível e mobilizadora.

Contra, já todos sabemos que estamos. O que todos buscamos é em que acreditar.

Assim, talvez possamos voltar a ter esperança, a acreditar e a enobrecer a política. Se nos mantivermos no tacticismo que infelizmente domina o país há demasiados anos, só poderemos caminhar para a irrelevância.

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