Não há nenhum local em Coimbra que se possa considerar inseguro

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Foto Luís Carregã

Foto Luís Carregã

Está há poucos meses em Coimbra. Que diferenças encontrou em relação ao Porto?

As diferenças essenciais são em termos de dimensão. Coimbra é uma cidade com uma dimensão diferente da do Porto e de Lisboa. E isso repercute-se ao nível da criminalidade e de stress que a própria cidade vive e aos vários condicionamentos que existem. Por isso, é perfeitamente normal que cidades de dimensão diferentes tenham realidades diferentes.

 

Coimbra é uma cidade segura ou vive-se numa ilusão que foi segura e agora já não é?

Coimbra é uma cidade segura. Os índices que apresenta são bons. Os cidadãos de Coimbra podem estar descansados em relação à cidade em que vivem. Aliás, isso nota-se e quem circule por Coimbra ou qualquer pessoa que venha a Coimbra sente isso. Se assim não fosse, não se viam pessoas a circular na rua à noite ou a andar em qualquer ponto da cidade durante o dia sem receio e problemas. Coimbra é garantidamente uma cidade segura.

 

Mas há locais inseguros?

Não. Há momentos em que acontecem furtos ou roubos ou quaisquer outras incivilidades que fazem com que as pessoas se sintam inseguras. Ora, em termos objetivos Coimbra é uma cidade segura e não há nenhum sítio que se possa considerar inseguro porque sempre que uma pessoa lá vai é assaltada ou acontece qualquer incivilidade. Não existem locais desses em Coimbra, pelo menos que me tenha apercebido até à data. Há problemas pontuais, fatores, acontecimentos que por vezes fazem com que numa zona ocorram alguns assaltos ou alguns furtos.

 

As pessoas queixam-se que na baixa não há polícias, principalmente à noite. Isso é verdade? Os agentes estão lá mas não são vistos? Há em número suficiente?

Há de tudo um pouco. As pessoas, muitas vezes, principalmente quando circulam em zonas que parecem menos seguras, gostam sempre de ver mais polícia. Se bem que isso não resolve o problema da criminalidade que existe naquele ponto. Outra questão é se devemos ou não, ou se é a permanência de mais polícias constantemente em determinadas zonas faz com que o crime acabe. Temos de encontrar sempre aqui um equilíbrio entre dois ou três fatores que são importantes. Em primeiro, não podemos pensar que os problemas de segurança se resolvem colocando mais polícias permanentemente em determinadas zonas. Isso levar-nos-ia em extremo a viver num estado policial, em que em cada esquina e em cada canto há um polícia. Isso não é o que nós desejamos, não é o que a cidade de Coimbra precisa e muito menos o nosso país. Temos de atacar esses fenómenos e esses sítios onde as pessoas se sentem menos seguras de forma mais científica. Procurando quais são as razões para isso acontecer, procurando a que horas e em que alturas é que isso acontece, quem são as pessoas que tornam o local inseguro e procurando atacar diretamente isso. Estar a fazê-lo, despejando constantemente mais polícias nos problemas, não é assim que os vamos resolver depressa.

 

Mas esta não é só uma questão da Polícia?

Claro que não. É uma questão que tem de ser abordada transversalmente, não só pela PSP, mas com os outros atores da sociedade que aqui em Coimbra trabalham nas várias áreas, seja no apoio social, urbanismo, associação de comerciantes. Todos em conjunto temos de trabalhar para que se as pessoas que se sentem inseguras em determinada zona, passem a sentir-se seguras. E a polícia tem aqui um papel primordial em toda esta questão e vai ter de o desempenhar como tem feito até agora.

 

Coimbra é tranquila?

Coimbra neste momento apresenta os índices de criminalidade que apresenta e eles não caíram do céu. São fruto, em grande medida, do trabalho que a PSP tem desenvolvido nesta cidade há 136 anos. Somos a força de segurança mais antiga que existe em Coimbra. Há 136 anos que a polícia de Coimbra anda a trabalhar na segurança dos cidadãos e os números que agora apresenta, com certeza, que alguns créditos também terão de ser dados à Polícia de Segurança Pública. A cidade continua a apresentar tranquilidade. Aqui vive-se bem, as pessoas continuam a andar sozinhas na rua e se saírem à noite e forem assaltadas é um azar. Enquanto numa cidade insegura, quem anda na rua a determinadas horas sabe que algo pode acontecer.

 

Considera-os, então, atos isolados?

O que acontece são atos que são normais que aconteçam neste tipo de cidade e que vão continuar a acontecer. É utópico pensarmos que vamos erradicar os roubos ou os furtos de vez. Os níveis que Coimbra apresenta são bons.

 

Gostaria de ter mais efetivos ou o número que tem agrada-lhe, sendo certo que não é possível ter um polícia em cada esquina?

Não podemos ter um polícia em cada esquina, pois também não é desejável. Qualquer comandante, por norma, gosta de ter sempre mais gente, pois o haver mais recursos permite sempre fazer mais alguns programas, experiências e outras coisas que, com o efetivo que temos, não serão possíveis. Em Coimbra, a média de polícia por habitante está dentro das médias nacionais. O número de polícias que existe é suficiente para a PSP levar a cabo a sua missão e continuar a manter a segurança dos cidadãos de Coimbra e da Figueira da Foz, que são as duas cidades que temos à nossa responsabilidade. Com a certeza que se houvesse mais, era possível que fizéssemos mais alguma coisa. Mas o que existe é suficiente.

 

Teme que os cortes anunciados “atrapalhem” o vosso funcionamento? [quando a entrevista foi realizada não era conhecido o Orçamento de Estado]

Temos a garantia, até à data, do Ministério da Administração Interna que os cortes que vamos sofrer não vão alterar a nossa capacidade operacional. Temos garantido, com certeza ecom alguma parcimónia que com alguma redução de gastos e de consumos correntes vamos conseguir manter a nossa capacidade operacional. Não nos vão afetar nessa área.

 

 

“Relações com a Polícia Municipal são ótimas”

 

Como são as relações com a Polícia Municipal?

As relações são ótimas. O comandante da Polícia Municipal é um homem da casa, da PSP.

 

Há cooperação?

Há cooperação sempre que é solicitada e se justifica. A PSP só pode existir numa lógica de cooperação com as outras entidades que trabalham para o mesmo fim. Quer sejam forças de segurança, quer seja a própria câmara, quer sejam serviços de apoio social, IPSS. Só tem lógica trabalharmos cada vez mais em rede e todas as instituições apoiando-se umas às outras. Posso dizer que na volta que dei quando cheguei a Coimbra, e fui apresentar cumprimentos às diversas entidades, fui extremamente bem recebido. Notei e senti em todos interesse em cooperar, em colaborar e em desenvolver trabalhos conjuntos para bem da cidade. Cá estamos todos para tratarmos bem esta cidade, os cidadãos e para que as pessoas se sintam mais seguras e bem por aqui estarem.

 

E a Polícia Municipal não é exceção?

Não é, contrariamente àquilo que as pessoas pensam, um concorrente à Polícia de Segurança Pública, ou da GNR ou seja quem for. A Polícia Municipal tem as suas atribuições que são complementares da PSP. Sempre que a PSP, no âmbito da sua atividade e do que está a fazer, nota que precisa de apoio da Polícia Municipal, pede o apoio e colaboração. O mesmo acontece ao contrário. Não há qualquer problema e trabalhamos em conjunto. E, ainda bem que assim é.

 

Experiência da

videovigilância é positiva

 

Há câmaras de videovigilância em Coimbra. Já foi dito que não são eficazes. Concorda?

A experiência que há em Coimbra em relação à videovigilância é positiva. Segundo os dados que temos é positiva por algumas coisas que já nos conseguiu fazer, nomeadamente alguns assaltantes que foram identificados e que foram apanhados graças à existência das câmaras. A presença das câmaras também veio alterar, de alguma forma, o sentimento de insegurança das pessoas da baixa que, a partir do momento em que tiveram as câmaras sentiram que há ali mais alguma coisa a ajudá-los e à polícia também para combater o crime. Não podemos é cair no exagero de dizer que se aquilo resulta ali ou tem tido efeitos positivos, porque tem, vamos estender isto à cidade toda. Não é isso que se pretende. Acho que ninguém gostaria de viver num sítio onde está permanentemente a ser escrutinado. Tem aspetos positivos e quando devidamente aplicada. Se estudarmos a questão em conjunto com outras entidades – câmara, associações de comerciantes, com os próprios moradores – e chegarmos à conclusão que há outros locais que justifique a instalação da videovigilância, a polícia está pronta para entrar nessa discussão.

 

Mas entende que era importante ter a videovigilância em mais locais?

Há sítios onde se pode estudar a possibilidade, ou não, de aplicar videovigilância. Numa cidade do tamanho de Coimbra, certamente que haverá mais alguns sítios ondea sua existência poderia colaborar com a polícia, moradores ou comerciantes. Poder-se-á estudar se se justifica ou não o alargamento. O importante é continuar a monitorizar o que estamos a fazer na baixa, que é positivo, e tem vindo a dar bons resultados. Penso que devemos tentar consolidar mais um pouco o modelo que ali está e dar mais tempo para provar o que vale.

 

A Figueira da Foz, uma cidade muito específica pelo caráter sazonal que tem. É uma preocupação maior?

É uma cidade com caraterísticas completamente diferente de Coimbra. A cidade da Figueira na época de veraneio cresce exponencialmente em número de habitantes e aquilo que é uma cidade pacata durante a semana no outono e no inverno, altera-se radicalmente – o mesmo já se nota durante os fins de semana. Também é procurada por pessoas que querem frequentar bares e discotecas durante a noite. Tem, por isso, o problema acrescido de, na altura do verão, termos sempre de reforçar a Figueira da Foz para continuar a proporcionar às pessoas, os níveis de segurança condizentes com aquilo que esperam quando estão em férias.

 

E é uma cidade segura, à semelhança de Coimbra?

É uma cidade muito segura. Tem aqueles picos que são normais no verão, mas durante o inverno é uma cidade que apresenta níveis inferiores aos de Coimbra, ainda.

 

Em Coimbra há muitas queixas de ruído? Há razões de queixa ou elas estão identificadas?

Sem dúvida que na altura da Queima das Fitas e da Latada, logicamente, há sempre mais queixas. Mas Coimbra já tem tradições nesse campo, já se habituou a viver com os estudantes, até poque é ainda uma cidade que vive dos estudantes, como senti logo nos primeiros dias que aqui cheguei. Coimbra é a única cidade verdadeiramente estudantil de todo o país. A população soube ao longo destes anos aprender a viver com a sua academia em paz. Há sempre alguns excessos na altura da Queima das Fitas, Latada. Excessos que, às vezes, as pessoas não compreendem. Mesmo qualquer pessoa de bom senso, às vezes tem dificuldade em compreender muito bem algumas coisas que são feitas. E, daí, apresentarem queixas. Tirando esses dois períodos, temos neste momento, na zona da alta, ruído proveniente do pessoal que vai para os espaços de diversão noturna, que às vezes exageram um pouco no barulho. É importante frisar que o ruído que ali se verifica é, essencialmente, das pessoas que andam na rua, que exageram na forma de se comportarem.

 

E como é que isso se combate?

Primeiro temos de ver se nos interessa, ou se a cidade quer ou não quer, ter aquela zona como um local movimentado e de diversão. É mesmo assim. Se nós tirarmos tudo o que é diversão noturna, aquela zona fica completamente deserta. Enquanto que assim vamos tendo movimento também. É uma escolha que tem de ser feita por quem tem competências para tal, a própria câmara, moradores, associações de comerciantes que estão na zona. Caso se chegue à conclusão que sim, vamos ter de estudar em conjunto e procurar alternativas, que passam pela sensibilização das pessoas que ali estão, procurando abafar alguns dos ruídos que são feitos, criar novos hábitos e novos sistemas. Acima de tudo, todos os intervenientes têm de se sentar à mesa e discutir o problema.

 

Cinco linhas de orientação estratégica

 

Quais são as grandes orientações estratégicas que estão definidas para a polícia de Coimbra?

Com base no que foi definido pela direção nacional e que quero implementar aqui, são cinco as grandes linhas de ação. A primeira está ligada à mitigação da mão-de-obra intensiva, ou seja, cada vez mais a polícia tem de resolver as coisas, não atirando polícias para cima dos problemas mas percebendo como estão a acontecer e utilizando cada vez mais a tecnologia para apoio ao nosso policiamento/patrulhamento.

A segunda prende-se com a aplicação gradual, e isto é uma coisa que vai demorar muito tempo, a criação de um modelo macro de segurança just in time. Ou seja, a polícia tem de deixar de andar a fazer o giro tradicional sempre à volta do mesmo sítio, mas mediante análise de cartas de situação, de índices de criminalidade, onde é que as pessoas estão e se divertem, para haver alguma presença nesses locais nas horas próprias em detrimento de outros onde não se justifica. De certa maneira trazer alguma cientificidade à forma como fazemos o patrulhamento e de trabalhar.

 

Em terceiro lugar pretende…

O terceiro está relacionado com uma questão interna que passa por otimizar o modelo macro quer estrutural, quer de funcionamento dos serviços de apoio à parte operacional. Ou seja, qualquer patrulha lá fora tem por base uma estrutura de apoio que é essencial, que lhe dá informação, apoio logístico.

Temos que otimizar e trabalhar mais nesta área, obrigados também pelos cortes que estamos a ter em termos de funcionamento. Temos mesmo de nos tornar mais baratos, mais eficazes naquilo que fazemos, no que temos cá dentro.

 

O quarto vetor prende-se com …

O quarto vetor visa ajudar a alterar a imagem da PSP. As pessoas não têm a noção que a polícia é a força de segurança mais antiga que existe no país. A PSP é a única polícia que existe que está 24 horas sobre 24 horas com as portas abertas. Não é preciso tocar à campainha, pois as nossas portas estão sempre abertas. Como nós só as urgências dos hospitais.

As pessoas quando vão à polícia, seja a que horas for, têm sempre alguém que as escuta e as encaminha. Se não for da nossa competência dá-se hipótese de ajudar a resolver. Continuamos a ter Portugal como o sétimo país mais seguro do mundo e algum crédito terá de ser dado à PSP que há tantos anos existe. Em Coimbra, continuamos a fazer crescer o número de operações que fazemos, o número de detenções efetuadas. É preciso levar isto ao conhecimento das pessoas, para se aperceberem de quanto a PSP trabalha e trabalha em nome da sua segurança. E é isso que é preciso mudar, pois as pessoas pensam que os polícias são uns tipos que andam a passar multas quando o carro está mal estacionado. Por fim, e não menos importante, o quinto e último vetor estratégico para a polícia de Coimbra é reforçar o apoio social e as condições de trabalho do pessoal.

 

 

“A cidade de Coimbra justifica

perfeitamente ter duas esquadras”

 

Há criminalidade violenta em Coimbra?

Existe e continua a haver criminalidade violenta em Coimbra. Os roubos na via pública, infelizmente continuam a existir. Roubos inclusive em habitações com as pessoas lá dentro, alguns assaltos mais violentos a estabelecimentos comerciais, que continuam a existir. São problemas que continuam a preocupar-nos.

 

E o que fazem para travar ou evitar essas situações?

Estamos, acima de tudo, atentos e a tudo fazer para evitar que elas aconteçam. A polícia trabalha, basicamente, através de duas formas: prevenção e repressão. A prevenção é aquilo que fazemos todos os dias, com os carros na rua, com as patrulhas, o pessoal, as equipas de proximidade. No caso da Baixa, por exemplo, foi implementado pela 2.ª esquadra o programa Comércio Seguro. Tudo isso é a parte preventiva. Procuramos “avisar” os possíveis assaltantes que há um programa ali, que a polícia está presente e em caso de assalto terão mais probabilidades de serem apanhados. A preventiva é aquela que, digamos, nos consome mais tempo.

 

Mas a repressiva dá mais resultados?

Bom… a parte repressiva que é a feita através da nossa Esquadra de Investigação Criminal (de Coimbra e da Figueira da Foz). Naqueles crimes que são da competência de investigação da PSP tentamos, descobrir os autores para depois, mais tarde, os irmos apanhar. Este ano, temos tido alguns êxitos consideráveis, uma vez que se conseguiram descobrir muitos autores de roubos e outras coisas que aconteceram por aqui.

 

Essa investigação dá frutos….

Continua a dar frutos e descobrem-se os autores.

 

Mas os cidadãos têm a ideia de que depois saem todos impunes?

Mas não é verdade. Nem de longe nem de perto. A PSP fez mais detenções em 2012 do que em 2011. Mostra que da nossa parte estamos com mais atenção e a trabalhar mais para procurar – e deter – essa gente.

 

É prejudicial ter os efetivos separados por dois edifícios?

Coimbra justifica perfeitamente ter duas esquadras. Ou seja, ter dois pontos físicos para atendimento ao público. Acho que é um equilíbrio bastante bom para a cidade ter dois pontos onde as pessoas se possam deslocar para resolver os seus problemas. Os dois são para manter. As instalações são um problema que Coimbra já tem há alguns anos e que vamos procurar resolver.

 

O edifício do comando é novo e já apresenta problemas.

Temos grandes problemas no comando de Coimbra. Este edifício onde nos encontramos foi subdimensionado para aquilo que era o projeto inicial e apresenta problemas graves em termos de climatização, no verão, pelo que me têm dito as temperaturas chegam quase aos 40 graus em alguns gabinetes.Tem outro problema grave que está relacionado com a dimensão. Somos obrigados, por vezes, a estar a ouvir duas pessoas em simultâneo, no mesmo gabinete.

 

Mas não se ficam por aqui os problemas….

Infelizmente, temos mais outros problemas com outros dois edifícios. Um é o da 2.ª Esquadra, que nem tem comentário possível. Tem que se mudar urgentemente porque não tem condições mínimas para fazer atendimento a qualquer cidadão que vá lá apresentar uma queixa. Nem tem as condições físicas e, por vezes, de salubridade. Apesar do esforço que existe para manter o espaço com alguma dignidade. Precisa de obras de fundo.

 

E estão previstas as obras?

Estão. Temos um acordo prévio com a Direção Geral de Equipamentos e Infraestruturas do Ministério da Administração Interna e com a Câmara de Coimbra, no sentido de resolver aquele problema. Estou convencido que 2013 será o ano de resolver essas coisas. O edifício é da câmara e há boa vontade da autarquia e do ministério em ajudar a resolver o problema. Também a climatização do comando será resolvido em 2013. Temos outro problema para solucionar na Figueira da Foz. O antigo quartel necessita de obras de fundo. Está francamente mau.

 

E a frota automóvel?

A frota está usada, com alguns anos de circulação . É claro que desejamos que fossem substituídas algumas viaturas devido aos quilómetros que já têm. Mas é uma frota que neste momento está operacional, pois não temos praticamente viaturas para reparar.

 

Sente que os efetivos estão motivados para responderem aos problemas dos cidadãos e da cidade?

Motivam-se como qualquer outro cidadão ou trabalhador. Em primeiro é motivado pelo exemplo e também através da definição de estratégias e fazendo ver às pessoas onde queremos chegar e o que pretendemos alcançar. Em Coimbra há uma vantagem muito grande. São tudo pessoas muito experientes e que conhecem bem a cidade e a realidade policial. Estou confiante e penso que, na generalidade, estou rodeado de boa gente. Há condições para fazer um bom trabalho em prol da segurança dos conimbricenses.

 

Qual foi o crime que mais aumentou (até novembro de 2012 e em comparação com igual período do ano passado)?

Ainda é cedo, pois gostava de ter os números finais do ano para depois fazer um balanço final. Também compreenderá que não podemos dar a conhecer os números de criminalidade antes de serem apresentados na Assembleia da República quando for dado a conhecer o Relatório Anual de Segurança Interna, talvez no próximo mês de março. Como tal não posso dizer o que está a subir ou a manter-se. Mas essa monitorização fazemo-la diariamente e sabemos como é que as coisas estão a acontecer. De forma mais consistente fazemos isso semanalmente e a tendência que se verifica em Coimbra é a manutenção dos índices criminais. Se calhar com uma pequena descida que está a existir com a criminalidade geral denunciada. Nos crimes que são denunciados e que são ditos há uma estabilização, o que é muito bom. No início do ano o que se dizia é que como é um ano de crise via haver muito mais crimes, as pessoas vão fazer muito mais asneiras. Mas isso não se verificou durante 2012. Aponto para a estabilização dos índices criminais, com uma pequena descida. Coimbra, e tem-se verificado isso, tem havido períodos em que os índices de criminalidade sobem, mas depois tornam a descer. Houve um período do ano em que houve mais assaltos a residências do que é normal, mas depois voltou para níveis perfeitamente normais, houve uma outra altura em que foi o aumento de esticões, mas depois desceram. Vai havendo alguns picos que estão relacionados com a vinda de pessoas para a cidade e que se dedicam mais a fazer um tipo de crime ou outro, vindos de outras cidades, pessoas que saem dos estabelecimentos prisionais.

 

Quantos furtos ocorrem, em média, por mês a residências?

Não queria estar a fornecer números, ainda.

 

Os furtos que ocorrem no interior de viaturas e residências acontecem também por incúria dos proprietários?

Não só. Temos aí duas questões completamente distintas. Há alguns crimes, principalmente os que chamamos predatórios (os que estão relacionados com as pessoas apanharem aquilo que lhes está à mão), que diminuíram em 2012. Todos em geral, com a crise, temos menos dinheiro e as pessoas quando têm menos são mais cuidadosas com os bens que têm, e não os deixam tão expostos como os deixavam noutras alturas. Alguns destes crimes que estão ligados a estas questões de furto em interior de veículos diminuíram. Se as pessoas tivessem outros cuidados com os seus pertences alguns destes crimes podiam ser evitados. Há pessoas que deixam, aqui em Coimbra, portáteis à vista, máquinas fotográficas, e outros bens, que como diz o velho ditado, “a ocasião faz o ladrão”. A mesma coisa ao nível das residências. As pessoas têm cada vez mais que se convencer que têm de tomar medidas passivas de segurança, naquilo que se justificar na residência, um alarme, grades. Devem-se guardar os bens dentro de casa em locais mais próprios. Tem de haver esse cuidado.

 

Antigamente dizia-se que este tipo de crimes era cometido por toxicodependentes. O perfil mantém-se?

Depende do tipo de crime que falamos. O crime de oportunidade que é esse o caso que tem o autor com o perfil mais próximo do toxicodependente, que procura dinheiro fácil. No caso das residências já é diferente. Em Portugal temos assistido, nos últimos tempos, a grupos mais organizados, mais profissionais, que fazem isto com outro cuidado. De forma bastante profissional.

 

 

 

 

 

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