Fungo provoca morte de peixes na Lagoa da Vela

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“O que está na origem do fungo ainda não sabemos ao certo. Sabemos porque é que os peixes morrem, não sabemos porque se tornaram imunodeprimidos em relação a esse fungo, não deveriam estar”, disse o especialista da Universidade do Minho, sobre a morte de peixes na Lagoa da Vela.

Membro da Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem José Vingada estuda, há cerca de duas décadas, as lagoas do litoral centro, de Mira à Figueira da Foz e, no caso da lagoa da Vela – um lago com cerca de 70 hectares, situado nas Matas Nacionais de Quiaios, a norte da cidade -”nunca” o fungo ali apareceu antes, disse.

O biólogo adiantou que o fungo em causa – cujo nome científico é Saprolegnia – é das “piores espécies” de fungos aquáticos e provoca doenças parasitárias em peixes e anfíbios.

Embora tenha alegado desconhecer a sua proveniência, desconfia que possa estar relacionada com o aumento de peixes na lagoa verificado este ano, sendo que os peixes mortos das últimas semanas têm vindo a ser retirados por meios do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas.

“Todos os anos fazemos uma campanha ambiental de avaliação da quantidade de peixe que existe na lagoa e esta quantidade de peixe não existia o ano passado. Só conheço uma maneira de aumentar bastante peixe numa lagoa, é fazer um repovoamento”, alegou.

Assim, José Vingada aponta como possíveis causas da proliferação do fungo “ou animais levados dos canais do Mondego [onde o fungo foi identificado em locais dos concelhos de Montemor-o-Velho e Soure] para ali ou de outros sítios” como aquaculturas.

“É que basta terem trazido meia dúzia. Aqueles que morreram podem não ser os que foram introduzidos, basta terem trazido uma meia dúzia [já infetados] para serem reproduzidos e a partir daí a bactéria instala-se”, referiu.

De acordo com José Vingada não existe maneira de erradicar o fungo, que só aparece em água doce, uma vez instalado na lagoa – nas algas, ervas e vegetação circundante – embora existam técnicas para reduzir a sua capacidade de sobrevivência.

“Assim que se instala num sítio, tem de ser a própria população animal a ganhar imunidade a ele. Aqueles [peixes] que sobreviverem a este evento serão resistentes a próximos eventos”, argumentou o biólogo.

No relatório que elaborou para as autoridades competentes José Vingada propôs “uma renovação rápida da água”, a exemplo do que é feito em aquaculturas extensivas, nas culturas de carpas.

“Tentam baixar 30 por cento do nível da água e adicionar nova água porque, quando há movimentação e aumento de oxigénio, o fungo degrada a sua capacidade de sobrevivência”, sustentou.

Texto da agência Lusa

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One Comment

  1. Manuel Pereira says:

    Já alguém se interrogou das toneladas de adubos que são lançados à lagoa a partir das terras de cultivo do lado nascente?
    Estes contribuem para o crescimento das algas e consequente falta de oxigénio na água.
    Para quando a construção de uma vala de drenagem do lado nascente que resolvia este problema; podendo o respetivo marachão servir de caminho pedestre para turismo de natureza.

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