Fotógrafa retrata idosos isolados no distrito da Guarda

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Uma fotógrafa portuguesa residente em Espanha está a desenvolver um projeto fotográfico que retrata a realidade de pessoas com mais de 65 anos que vivem sozinhas e isoladas no distrito da Guarda.

“Sós e isolados” é o nome do projeto de Cecília de Fátima, 29 anos, natural do Porto, que trabalha em Barcelona.

A jovem contou à agência Lusa que teve a ideia de fotografar idosos após ter visto uma reportagem televisiva sobre o acompanhamento que a GNR está a fazer junto de pessoas que vivem sós em Bragança.

Cecília de Fátima interessou-se pelo tema e optou pelo distrito da Guarda, tendo pedido àquela força de segurança que a acompanhasse nas deslocações ao terreno e no contacto com quem se encontra naquela situação.

“Pedi ajuda à GNR porque tem informação sobre a localização destas pessoas e também porque são vítimas de roubos e burlas e são pessoas frágeis que evitam os desconhecidos”, justificou.

Interessou-se pelo tema por ter “preocupações sociais” e por poder contribuir para “resolver algumas situações” que atingem os idosos, apontando, por exemplo, que “algumas pessoas, pela idade, padecem de alguma doença ou de algum problema físico” e não têm qualidade de vida.

“Quase todas as que contactei são analfabetas, vivem em casas sem eletricidade e sem água canalizada e vivem sobretudo na solidão”, relatou.

Na primeira fase do projeto, desenvolvido em outubro e novembro de 2012, fotografou oito moradores dos concelhos de Guarda, Pinhel e Seia: três mulheres que vivem sós, um casal e uma viúva que habitam numa aldeia e um casal que vive isolado.

A segunda fase do “Sós e isolados” começou este mês, com contactos no terreno, prosseguindo em março.

Para “salvaguardar a segurança” dos idosos fotografados, Cecília de Fátima comprometeu-se com a GNR a guardar sigilo sobre o nome e o local de residência. Assim, no blogue http://sosisolados.wordpress.com/viver-na-guarda/ e na página do Facebook limita-se a identificá-los com a letra inicial do nome, o concelho e o distrito.

A jovem não se dedica a tempo inteiro ao projeto e desloca-se à Guarda, onde ocupa o ateliê ‘Laboratorium’, propriedade de um amigo, quando a vida profissional permite e após “juntar algum dinheiro” para viagens e estadia.

Cecília assegurou à Lusa que é sua intenção continuar com o projeto “Sós e isolados” para “o resto da vida” porque “gostava de encontrar o número máximo de pessoas” que vivem sós e em locais isolados de Portugal.

“Comecei no distrito da Guarda e quero estender-me pelo resto do país”, disse, assumindo que gostaria de alargar a ação pelo menos aos distritos de Castelo Branco, Portalegre e Viseu.

O primeiro resultado do seu trabalho vai ser tornado público com uma exposição de fotografia a realizar de 05 a 24 de março no café-concerto do Teatro Municipal da Guarda.

 

(Notícia de António Sá Rodrigues, jornalista da Agência Lusa)

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