Fio-de-prumo: Viver sem esperança?

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LUÍS PARREIRÃO

Luís Parreirão

Este é habitualmente um tempo em que esperanças, individuais e colectivas, se renovam em nome do sonho e da crença num amanhã melhor.

Infelizmente os tempos que vivemos não vão de feição e aquilo a que assistimos é a uma preocupante “desesperança” generalizada.

Individualmente poucos serão os que olham para o futuro, imediato e mediato, com uma expectativa positiva.

De um ponto de vista colectivo não se lobriga um sector, por mais residual que ele seja, onde sintamos que o futuro vai ser melhor que o presente.

Dir-se-á que este não é o primeiro momento da nossa história em que vivemos com este tipo de dificuldades. Porém, não tenho dúvidas que este é o primeiro momento dos últimos cinquenta anos em que vivemos sem esperança.

E não é possível viver sem esperança!

Quando vivíamos em ditadura, tínhamos a esperança da conquista da liberdade e da democracia.

Enquanto durou o flagelo da guerra colonial, os jovens e os pais alimentaram-se da esperança do seu termo inevitável.

Com a democracia, vivemos, todos, a esperança de um país mais desenvolvido e mais justo.

Quando a vertigem dos acontecimentos ameaçou a democracia, a esperança numa democracia moderna e europeia motivou-nos a todos.

Entrados no regime constitucional, o país entusiasmou-se com a esperança da entrada na CEE com tudo o que isso, à época, representava. Quem não se recorda do que representou “A Europa Connosco”?

Confrontados com as dificuldades da primeira metade da década de 80 do século XX, alimentou-nos a certeza da transitoriedade dessas dificuldades e a esperança na entrada, certa e definitiva, nas Comunidades Europeias.

Com a participação de pleno direito na União Europeia, a nossa expectativa era de que a cada passo se estava a construir um país melhor onde os cidadãos tinham melhores condições de vida e que, num segundo momento, passou a ser mais bem infra-estruturado, mais e melhor formado, e mais justo.

Quando, já neste século, as dificuldades, europeias e portuguesas, nos voltaram a bater à porta, a esperança de todos nós alicerçou-se em acreditarmos que os sacrifícios eram transitórios e que, reposto o equilíbrio das contas, voltávamos ao crescimento justo e às políticas redistributivas.

Agora que 2012 termina e 2013 se anuncia, confesso que não consigo descortinar, nem nos factos nem nos discursos, qual a esperança que nos pode mobilizar e motivar!

E não é possível viver sem esperança por muito mais tempo!

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