Broa de Avintes tem micotoxinas a mais mas não põe em risco a saúde pública

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BROA DE AVINTES

O pão consumido em Portugal possui micotoxinas, mas “em níveis inferiores aos limites máximos” estabelecidos pela Comissão Europeia, conclui um estudo desenvolvido por investigadores da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC).

“À exceção de algumas amostras de broa de Avintes”, as “amostras de pão recolhidas em todo o país, de Bragança ao Algarve”, no âmbito da investigação, revelaram a presença de “substâncias tóxicas produzidas por fungos” (micotoxinas), mas em “níveis inferiores aos limites máximos estabelecidos pela Comissão Europeia”, afirma uma nota distribuída pela Universidade de Coimbra (UC).

É, no entanto, “seguro o consumo da broa de Avintes”, pois “a ingestão diária estimada” deste tipo de pão é “muito inferior à ingestão diária tolerável estabelecida” por entidades internacionais, designadamente pela autoridade europeia de segurança alimentar”, assegura, à agência Lusa, a investigadora Celeste Lino.

A broa de Avintes não constitui, por isso, “risco para a saúde pública”, sublinha ainda a docente da FFUC e coordenadora da equipa de investigadores responsáveis por este estudo.

Além disso, acrescenta, “apenas um número muito reduzido” das amostras analisadas ultrapassa “os limites máximos estabelecidos para a ocratoxina A” (uma das referidas micotoxinas).

Os níveis de micotoxinas presentes na broa de Avintes resultam essencialmente da sua “composição complexa”, baseada no milho, mas, adverte Celeste Lino, “não há motivo para alarme”.

O pão é “um dos bens essenciais” e deve, por isso, intensificar-se “o controlo das matérias-primas utilizadas na sua confeção (cereais) para minimizar a entrada das micotoxinas na cadeia alimentar e, consequentemente, evitar o surgimento de patologias associadas”, sustenta a investigadora.

É essencial que este tipo de questões tenham “uma abordagem preventiva”, salienta Celeste Lino.

O facto de boa parte dos cereais que entram na composição do pão fabricado em Portugal serem importados dificulta esse controlo e a deteção da origem das micotoxinas, reconhece Celeste Lino, adiantando, que o estudo que coordenou não se debruçou sobre a influência de cada tipo de cereal no desenvolvimento daqueles fungos.

“As condições climatéricas e de armazenamento são cruciais para o desenvolvimento de fungos produtores de ocratoxina A, uma micotoxina nefrotóxica, hepatotóxica, e possivelmente carcinogénica”, adverte a especialista.

Desenvolvido por uma equipa de quatro investigadores da FFUC, o estudo, financiado para a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), foi desenvolvido ao longo dos últimos três anos, tendo implicado, designadamente, a recolha e análise de “838 amostras de pão e 572 amostras de urina das respetivas populações” (a urina “é um excelente biomarcador”).

 

(Notícia da Agência Lusa)

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