Diário de Arzila – Um mandato que sabe a pouco

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Foto Luís Carregã

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Em Arzila, a junta de freguesia é governada por um executivo de coligação, com dois socialistas – o presidente, Nuno Silva, e João Seiça e um eleito pela lista PSD-CDS/PP – Carlos Pocinho. Não foi fácil, há três anos, chegar a entendimento. Mas, desde então, o entendimento e a unanimidade vingaram.

Em três anos, a autarquia da pequena freguesia rural da margem esquerda pouco conseguiu fugir do natural aperto financeiro – o orçamento-base da Junta de Arzila ronda os 73 mil euros anuais e mais de metade vai para as despesas correntes, ou seja, para a remuneração de eleitos, para o contratado em programas ocupacionais (POC), para o apoio ao associativismo, encargos com instalações, limpezas, etc.

Não obstante, e tendo em conta o escasso apoio da câmara (praticamente confinado à recuperação da escola primária, em todo o mandato), a junta apostou em algumas obras. Em 2012, aliás, o plano e o orçamento foram cumpridos em 98 por cento, orgulha-se Nuno Silva. Assim, foi possível, por exemplo, levar a cabo a requalificação da “Fonte Velha”, com os novos parques infantil e geriátrico, e promover a reparação de valetas e calçadas.

Este contexto é ainda mais fragilizado pela diminuição das transferências financeiras,desde 2010, quer da câmara quer do FFF – Fundo de Fomento das Freguesias. Apesar de tudo, Nuno Silva sublinha o bom desempenho da autarquia, ao conseguir garantir, anualmente, cerca de oito mil euros de receitas próprias. E, ao mesmo tempo, a capacidade de “transformar receitas cvorrentes em despesas de investimento”.

Agora, prestes a ser extinta, a junta de freguesia já não vai avançar com um projeto de vulto, que passava pela recuperação e remodelação do edifício-sede da junta. E, de uma forma geral, o contexto político, por um lado, e socio-económico, por outro, “conduzirão inevitavelmente a uma contenção orçamental, para 2013”, admite o presidente da junta.

Nuno Silva insiste no receio de que o processo de agregação de freguesias resulte no progressivo afastamento das futuras autarquias, face às populações. E reitera a convicção de que, por exemplo, o atendimento aos fregueses poderá vir a fechar, em Arzila. “Isto quando a câmara podia, perfeitamente, tirar dividendos imediatos, e baratos, das estruturas existentes, nas sedes das juntas, para ali instalar postos avançados de atendimento aos munícipes”, remata.

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