Opinião – Como acabam as crises?

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Aires Antunes Diniz

Soubemos há dias que o Banco de Portugal invocou em vão o segredo de supervisão para impedir a justiça de funcionar no caso BPP. Podemos daqui inferir que o Banco de Portugal tem uma visão erradamente obstrutiva da Justiça, sendo censurado por uma juíza neste caso (DN, 4/1/2012, p. 32 ). Acontece enquanto muitos portugueses passam fome, miséria e até morrem precocemente por força da peste espoletada pela falta de supervisão que criou o problema BPN, BCP, BANIF e outros.

Há pouco mais de 200 anos, as invasões francesas provocaram também mortes por força das pestes tal como Belisário Pimenta, as descrevia em Coimbra em 1941, dando delas uma visão redentora pois “tudo se foi acalmando. A população não teve outro remédio senão esperar que os tempos melhorassem; e que, entregando-se ao consolo da Providência, os flagelos da guerra, da fome e da peste, fossem desaparecendo por cansaço de fazer mal.”1 Contudo, agora, nada se vai resolver tão pronta e espontaneamente pois os órgãos reguladores do nosso capitalismo, como é o caso do Banco de Portugal, vão reacendendo os fogos pestilenciais que fazem adoecer a sociedade portuguesa.

Comprovando-o sabemos também que o BPN enterrou 150 milhões de euros na Labicer, onde os capitais próprios negativos eram 68 milhões em 2010. Parecendo-me ser erro de designação e associei a esta no Google um economista importante, e ele lá apareceu associado. Mas, tendo-me recordado do nome da empresa com que a confundi, coloquei-o de novo e, surpreendentemente, surgiu a informação de que a divulgação de dados de empresas insolventes tinha sido proibida pela Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), sendo mesmo proibida a difusão na Internet de dados sobre insolvências já publicadas no Diário da República. Dizia-se no site consultado (http://www.lawrei.eu/falencias/?p=1468, acesso em 5 de Janeiro de 2013 ). Também aí se referia que Portugal, era agora semelhante ao regime de Kim-Il-Sung e das suas ideias Zuche. Mas eu como especialista neste regime, refuto tal coisa, dizendo que se trata na verdade de uma variante do Capitalismo completamente Zuca, pensado e controlado por banqueiros da linha Ai Aguenta, Aguenta, que é bem contrária à ditadura da Constituição da República. É onde nenhum português é legítimo possuidor dos seus bens, incluindo o pão de cada dia, salários, reformas e etc. se tal for necessário aos Kims da nossa nomenclatura, e, daí a consequente passagem à clandestinidade do Diário da República. Felizmente, o despertador funcionou e voltei bem acordado à Internet para conferir tudo. Estranhamente era verdade.

Só a Utopia de Belisário Pimenta de que tudo acabaria quando esta gente ficasse cansada de fazer mal era descabida.

Na verdade, só quando limparmos todo este pus que nos infecta coletivamente, poderemos viver num mundo bem ordenado e feliz.

Mas, para isso temos de ir para a rua espantar os parasitas. E vamos mesmo.

1 Belisário Pimenta – Uma epidemia em 1811, Livraria Académica, Coimbra, 1941, p. 15.

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