Opinião – Totalitarismo descarado

Posted by

LUCÍLIO CARVALHEIROLucílio Carvalheiro

Continua aquilo a que se chama Governo PSD/CDS, com lutas intestinas sem grandeza, mas indiscutívelmente com um Programa de negação social. Toda a referência a outro Programa, para além da execução do plano Troika, é pura semântica.

E a função histórica da Presidência da República também está esgotada. Usando retalhos da Democracia, mas fora do contexto, do que trata com a invocação de grandes princípios mas sem outro objectivo que não seja a recusa de conduzir a vida política para a autenticidade.

Isto ajudará a medir a desproporção do mando tecnocrático sobre o mando político, a enormidade de custos que acarreta, e a retórica do esbanjamento a que se terá procedido revela paroquialismo político e o despropósito dos ufanismos.

Estamos, pois, reduzidos a um “Estado de Negação” do Estado. E para o comprovar basta verificar que o que nos é oferecido é o Estado ser governado em função dos elogios que recebe do exterior, e não em função do que se poderia chamar “Responsabilidade Nacional”, que é questão que se terá de colocar a cada momento. Qualquer Governo de um Estado responsável dispensa louvores alheios por uma conduta que os beneficia, porque esses outros escarnecem ao agradecer a dádiva com a moeda fácil de um aplauso.

E tudo se encaminha dramaticamente para uma situação que não nos podemos sustentar sem esmola e não se conhece, para o caso, situação política mais ameaçadora para as liberdades civis, nem sintoma mais alarmante de uma oportunidade para os extremismos.

E, assim, do que devíamos tratar realmente é da paralisia política portuguesa e da sua evolução, já que uma classe política que se obriga a fazer funcionar um Parlamento sem poder efectivo, e com uma oposição que tem o encargo do diálogo e o compromisso de não querer chegar ao Governo, terá que se posta em causa.

Pois bem. Enquanto o único critério de medida seja a razia no nível de vida, no descalabro do PIB, na péssima renda per capita, no ausente bem-estar material do cidadão, não servem para muito os pressupostos dos valores e princípios políticos democráticos – o TOTALITARISMO instala-se., instalou-se descaradamente.

Instalado o totalitarismo, de imediato a opinião pública e a publicada se encarregou de alimentar o equívoco básico que é confundir a política com a tecnocracia; o que não tem permitido ao cidadão-comum distinguir uma comunidade franciscana de uma tribo de inoquêses. De modo que nenhuma argumentação estrutural pode ser alinhada no sentido de impedir que os políticos são os únicos que devem aspirar ao Governo que lhes pertence – o Governo de Portugal.

 

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.