Opinião – Todos ganharíamos!

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José Couto

Na primeira semana de Dezembro, vários órgãos de comunicação social noticiaram os resultados do estudo que regista a opinião de investidores e observadores estrangeiros sobre corrupção. A posição de Portugal no Índice de Percepção da Corrupção é clarificadora. Portugal está pior que o Botswana!.

Este índice, criado em 1995 como um indicador composto utilizado para medir as percepções sobre a corrupção na administração pública, é promovido pela Transparency Internacional e vai de 0 a 100, de muito corrupto a nada corrupto. São avaliados 176 países, dos quais dois terços ficaram abaixo dos 50 pontos. Numa graduação liderada por Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia, Portugal teve 63 pontos, ocupando a 33ª posição.

Não só é importante a falta de confiança no sistema, como é de assinalar que a nossa situação não tem vindo a melhorar, como seria exigível.

Este inquérito vem confirmar uma ideia que se generalizou durante décadas em Portugal, de que sem “ajudas” os nossos problemas não são resolúveis, ou pior, que com “aquelas” se consegue obter vantagens, também económicas, nas atividades empresariais.

A transparência, o acesso a informação, e os elevados níveis de instrução e exigência das populações dos países que lideram o ranking, ajudam a explicar os 90 pontos que obtiveram.

Mesmo não havendo em Portugal governo ou oposição que não exorte contra a corrupção, a verdade é que os exemplos que são dados acabam por não moralizar, ou credibilizar a situação da administração publica e das suas decisões.

O mérito, o empenho, o desempenho, a qualidade são elementos objetivamente mensuráveis. A esmagadora maioria das decisões podem, e devem, ser tomadas com base em critérios objetivos e são passíveis de escrutínio.

Esconder na legitimidade do voto, a capacidade e a valia das decisões, alem de comum em Portugal, das autarquias aos ministérios, é um exercício populista e demagógico que só tem servido para diminuir a confiança nos agentes públicos.

Não será assim tão difícil melhorar, todos ganharíamos com isso, estes resultados são publicados nos mídia internacional e condicionam a opinião que os decisores e líderes de opinião têm sobre nós enquanto povo.

 

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