Opinião – Tabletes

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Paulo Almeida

Já se sabe que o mundo não vai acabar. Três sábios maias guatemaltecos foram até uma praia em Cuba e, depois de uma cerimónia, afirmaram que o significado do próximo dia 21 de Dezembro para os seus antepassados é o de que irão receber um “novo sol”, com “novas atitudes e transformações” para o mundo. Algo que dizem acontecer a cada 5125 anos. Eu acredito neles. Não foi à toa que escolheram Cuba para receber o sol.

Há é uns investigadores desta e doutras civilizações (provavelmente não gostam de sol) que andaram a dizer que a era dos homens na Terra ia acabar a 21 de Dezembro. Quase toda a gente já desmentiu tal facto. Uma coisa é certa: se depender de nós, nada vai acabar. Algo desta magnitude não pode começar a horas e não se pode perder uma boa oportunidade para derrapagens. Imagino no que muitos leitores estarão a pensar, mas lamento desapontar: sei de fonte segura que a crise resistiria que nem uma barata ao fim do mundo.

Por cá ficaria, austera. Com ela, o Gaspar e a criança “indigo” PPC, o incompreendido. Num tempo em que as tabletes de chocolates foram substituídas por tablets que são vendidos a cada segundo que passa (até ao Natal será vendida uma unidade a cada dois segundos), os portugueses pós 21 de Dezembro vão mesmo ter que aprender a viver sem medicamentos, muitos sem eletricidade, gás e água e com os telemóveis bloqueados por falta de pagamento. Um downsizing que elevará o nosso “desenrascanço” a case study mundial.

Mas se não depender de nós, nem da Merkel ou dos burocratas que vão receber o Nobel da Paz, há esperança de uma nova era que faça vingar uma velha ideia de Europa cada vez mais aprisionada no colete-de-forças da União Europeia. Ou num Portugal que abrace e se deixe abraçar pelos outros 290 milhões de pessoas que falam a língua portuguesa. Sim, somos a 4.ª língua a nível mundial e a 3.ª no planeta Facebook. Já agora, poderia não ser assim tão difícil termos em comum uma moeda e um mercado, para além da língua (mas isso sou eu a pensar para com os meus botões). As centenas de cérebros que se andam a reunir num iThink iTank acham que o potencial de crescimento económico passa por substituir sobretaxas de IRS por taxas de carbono, por exemplo. Eles, que de certeza falam fluentemente outras línguas, não devem considerar a barreira linguística uma autêntica taxa.

No final de contas, poderia não ser assim tão mau que a 21 de Dezembro uma nova era se iniciasse, uma que nos livrasse de pessoas que até ver andam a conduzir “à extinção” muitas outras, homens e mulheres que deviam contar para mais do que para serem contados. Infelizmente para nós e para a democracia, tal só vai acontecer quando tudo “cair de podre” porque, como o historiador Will Durant um dia afirmou, “a máquina política triunfa porque é uma minoria unida que actua contra uma maioria dividida”.

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