Opinião – Solidariedade ibérica

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Aires Antunes Diniz

No passado dia 14 de Novembro uma onda de solidariedade cobriu a Europa num manto de esperança no futuro. Foi o que senti quando, passado uma semana, logo que cheguei a Múrcia, observei alguns cartazes que mostravam como alguns estabelecimentos comerciais tinham fechado.

Contudo, esta amizade ibérica vinha de longe pois “ En el año de 1269, en 30 de Junio, celebró Cortes en Sevilla, en las que se halló presente el Infante Don Dionis de Portugal, que era Nieto suyo, y no tenia mas que ocho años de edad: Don Alonso, en testimonio de la inclinación que tenia a su persona, le hizo la gracia de levantarle cierto genero de Vasallage, que los Reyes de Portugal pagaban à la Corona de Castilla”.1

Infelizmente, agora uma onda de políticas de empobrecimento percorre a Europa, exasperando os povos contra os “partidos do poder”.

Em Murcia, no dia 21 de Novembro, houve uma manifestação contra a violência policial, que tinha existido a 14N, quando os murcianos protestaram também contra os despejos, que proliferam agora por toda a Espanha, tendo contra eles a solidariedade ativa dos espanhóis de todas as nacionalidades. Lendo os jornais, fui vendo como se organiza a resistência. Unem-se por um lado os ameaçados de despejo, treinam-se por outro lado os que têm como tarefa a sua execução para que sejam objetores de consciência. Também o governo tenta ajudar a venda de casas de luxo, dando aos estrangeiros seus compradores autorização de residência, o que terá como consequência a vinda de alguns indesejáveis e ainda a continuação da especulação imobiliária, origem de toda esta tragédia…

Continuando, como tinha ido a Múrcia para participar no III Foro Ibérico de Museísmo Pedagógico e nas V Jornadas Científicas de la Sociedad Española para el Estudio del Patrimonio Histórico Educativo que ocorreu de 21 a 23 de Novembro, tive a felicidade de ouvir portugueses e espanhóis acerca da defesa do património educativo e melhor ainda ver como funcionava o Centro de Estudos sobre a Memória Educativa (CEME) da Universidade de Múrcia.

Aí encontrámos um património organizado que também podíamos ter em Portugal. Infelizmente, os tontos que nos governam, e outros que se apossam dos lugares de comando, vão deitando fora o nosso Património Histórico, fazendo com que a resposta às nossas perguntas sobre onde está este património é: foi deitado fora pelos sucessivos diretores… E não só, acrescento eu.

E, contra esta estupidez continuada, de nada nos vale a solidariedade ibérica. Entretanto, todos os dias tenho notícia de caprichos dos nossos “poderosos” que continuam esta nossa má sorte. Soube-o e recordei-o neste evento científico e também em Évora no 3.º Encontro Nacional de História da Ciência e da Tecnologia, dois meses antes. E é contra isso que todos nos devemos unir. Não podemos delapidar o que temos.

1 Bernard Espinalt Garcia – Atlante Español, Tomo I, Reyno de Murcia, 1778, reimpressão, Biblioteca Murciana de Bolsillo, 1980, p. 31.

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