Opinião – RTP E TAP – o Governo perdeu legitimidade política

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jose-junqueiroJosé Junqueiro

Foi cancelada a venda da TAP. A opacidade do negócio: o governo tinha, no mesmo dia, estabelecido as condições de concurso e, pasme-se, escolhido um único comprador, Efromovich. O escândalo ultrapassou fronteiras. O PS, pela voz de António Seguro, como todo o país, exigiu a paragem do processo por falta de transparência. Finalmente, o governo cedeu. Decidiu não vender, mas a desculpa é pífia. Então, só agora, descobriu que o homem, Efromovich, não tinha garantias bancárias? Para já, o país ganhou e Miguel Relvas perdeu!

Na RTP espero que a decisão vá no mesmo sentido: que o país ganhe e Miguel Relvas perca. Recordo aqui, em síntese, as palavras de Miguel Sousa Tavares: “O processo de privatização, para além de uma grande baralhada e incompetência, está a tornar-se um escândalo nacional…estou convencido de que o PR não deixará passar isto tal como está.

É um escândalo que o PSD proteja o ministro Relvas e não o deixe ir ao parlamento.

É um escândalo que a maioria tenha chumbado o projeto do PS, há 15 dias, que tornava obrigatória a identificação dos titulares dos órgãos de Comunicação Social

É um escândalo que se pretenda vender a empresa pública de televisão a uma sociedade estrangeira sediada num offshore e da qual não se sabe quem são os titulares. Isto nunca aconteceu em qualquer república das bananas…o PR já devia ter dado um murro na mesa e dizer que há coisas com as quais não se brinca.”

Penso ter sido o “El País”, de “nuestros hermanos”, a noticiar que o governo português pôs Portugal à venda. E é verdade. É esta a imagem pública interna e externa transmitida pela maioria PSD/CDS. Não nos venham dizer que estava no memorando delapidar o património nacional, privatizá-lo, concessioná-lo ou vendê-lo a qualquer preço. Não, isso não está no memorando, mas apenas na agenda ideológica e na “short list” dos negócios mais rendosos.

O Presidente da República, com todo o respeito, não se ouve nem se opõe a nada, rigorosamente nada, que evite este leilão ou adjudicação direta do património do Estado. Não se lhe ouve um “ai” pela intervenção dos escritórios de advogados onde pontificam notáveis do PSD. Tudo é permitido, mesmo sabendo que o governo não foi eleito com base nestes pressupostos. Em todos estes casos, como RTP e TAP, o governo perdeu a legitimidade política. – 2012-12-20

 

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