Opinião – Reformas estruturais?

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Joaquim Norberto Pires

O investimento, nomeadamente vindo de fora do país, é fundamental para tirar Portugal do buraco em que se meteu, e praticamente a única forma de realizar a mudança de mentalidades que é necessária, urgente e inadiável. Portugal desperdiçou a oportunidade de utilizar os fundos comunitários, que teve à sua disposição desde 1989, para reforçar a sua competitividade e atractividade para o investimento. As reformas estruturais precisam de ter um objectivo em mente, de médio e longo prazo; quando são realizadas por razões circunstanciais nunca constituem reformas sérias. Reagir nunca foi uma boa forma de gerir porque exclui o planeamento e a reflexão. A boa gestão exige ideias, planos, objectivos nacionais e uma estratégia transversal aos ciclos governativos. Em quase 40 anos de democracia não fomos ainda capazes de perceber que nada de significativo se consegue em ciclos curtos, e sem reflectir em conjunto e com o devido tempo.

A preocupação primeira de Portugal, na área económica, deve ser a de preparar o país para ser competitivo para quem já exerce actividade em Portugal, mas também para aqueles, nacionais ou estrangeiros, que procuram locais para investir. Portugal tem de mostrar que está preparado e que se preocupou com os detalhes. É isso que marca a diferença. Há muitos locais no mundo que podem alojar investimentos produtivos e que criam emprego. Por que razões devem esses investimentos vir para Portugal? É essa pergunta que todos temos de saber responder, nomeadamente o Governo, mas também as regiões e os municípios.

Tem Portugal consciência do que precisa de fazer? Você, caro leitor, se fosse empresário estrangeiro ou nacional investia em Portugal?

Portugal simplificou os seus processos administrativos? Está organizado de forma eficiente, tendo em mente resolver problemas? Discutiu essas questões com a população? É um país desburocratizado? E com níveis de corrupção desprezáveis?

Portugal pensou em mecanismos para financiar o investimento directo estrangeiro?

Portugal tem uma fiscalidade racional, isto é, que não demoniza o lucro, incentiva quem arrisca, quem cria emprego e quem cresce (no mercado interno e externo)?

O território em Portugal está organizado? A sua gestão é descentralizada, focada na exploração das potencialidades de cada região? Percebe-se que Portugal acredita nas suas localidades e incentiva a que se desenvolvam, que criem sinergias para que o seu somatório seja maior que a simples soma de partes?

O Estado é racional, eficiente e tem a dimensão necessária ao país?

Portugal forma os profissionais necessários e sabe, em cada momento, onde eles estão e a fazer o quê? Por exemplo, se uma empresa precisar de pessoas numa determinada área, Portugal sabe responder onde estão, quantas são e o que estão a fazer? E se for necessário, tem mecanismos para resolver?

Portugal considera a Educação uma despesa ou investimento? E a Cultura?

A investigação científica e tecnológica tem componentes que estão ao serviço da economia? Portugal sabe dizer, de imediato, o que é que tem disponível, organizado e pronto a responder, nas várias áreas científicas e técnicas, caso elas sejam necessárias? E o financiamento do sistema científico e tecnológico nacional teve isso em conta, como objectivo?

Ou seja, Portugal, visto de fora (e de dentro), mostra-se um país organizado, que pensou nos detalhes e se preparou? Os investidores procuram estas respostas, e só depois se deixam convencer pelo sol, pelo mar, pela qualidade e beleza do território, pela afabilidade das pessoas, pela gastronomia e pela cultura e costumes dos portugueses. Se isso não for evidente,

 

(artigo também publicado no re-visto.com)

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