Opinião – Oportunidades perdidas

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Aires Diniz

O turismo da saúde, assim como o cultural são elementos de animação das zonas de veraneio como Múrcia, onde a cultura se torna impressiva pois a todo o momento a encontramos como razão para a visitarmos. Trata-se também de um elemento necessário para estancar a perda de população. Contudo, o governo espanhol mais preocupado com a crise …do imobiliário, dá autorizações de residência a quem comprar uma casa de pelo menos 160.000€, atraindo desta forma o turismo sénior ou empresários estrangeiros que criarão ou poderão criar novos empregos…

Infelizmente, o nosso Interior não tem esta possibilidade. Só tem a oportunidade de atrair os investidores que aproveitem os recursos locais, como as águas de “Bem-Saúde, do período Pré-Legislação, (que) é já mencionado(a) por Dr. Francisco da Fonseca Henriques (Aquilégio Medicinal) no ano de 1725 e nos Anais do Concelho de Saúde no ano de 1838. O estudo analítico das águas de BEM-SAÚDE data de 1879. As determinações físico-químicas, tão completas quanto possível para a época, foram seguidas, nesse mesmo ano, segundo o método para a análise qualitativa e quantitativa do chefe dos trabalhos práticos do laboratório químico da Universidade de Coimbra Prof. Dr. Joaquim dos Santos e Silva. Em 1897 o Prof. Dr. Ricardo Jorge fez a análise bacteriológica.”

Por isso, o nosso Interior acaba por perder continuadamente população enquanto Múrcia ainda tem esperança de a não perder por força da crise por dar a volta com alguma habilidade do seu governo autonómico e central. Mas, parece ser só vontade de criar riqueza que parece tão arredia dos povos ibéricos, agora bem solidários como pude ver num cartaz que mostrava uma loja, que tinha fechado na Greve de 14 de Novembro em solidariedade com Portugal. Contudo, o que impressiona é a multiplicidade de iniciativas da sociedade civil murciana e dos seus partidos para conseguir minorar a crise, defendendo empregos e criando outros. A justificação é que a classe política que gere agora a crise desaparecerá e quer deixar boa impressão.

É algo bem diferente do que acontece em Portugal, onde a classe política do arco do poder teima em continuar a pecar. A receita é sempre mais austeridade, enquanto vão persistindo na continuada ocupação de lugares bem pagos pelos seus elementos, mas que não contribuem em nada para a solução dos problemas nacionais e locais. Sempre.

Somos assim confrontados com outra realidade, trazendo de regresso connosco outras soluções para a crise que nos aflige, mas que não é bem real pois conhecemos as razões da sua criação, obrigando-nos a pensar as razões que a levam a persistir ou seja a teimar nas soluções que já muitos consideram desajustadas.

De facto, há que olhar bem de frente esta gente desatinada para lhe pedir que desapareçam. E por fim, construir uma alternativa.

1 Armindo Morais – Águas de Bem-Saúde, Edições Maranus, Porto, 1956.

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