Opinião – O limite do razoável

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Mauro José Tomaz

Praticamente um ano e meio depois da eleição de Pedro Passos Coelho, os resultados estão à vista e não enganam ninguém. Tanto à Direita como à Esquerda, e excluindo os naturalmente seguidistas mas cada vez mais confusos deputados da Coligação, não há quem sustente estas políticas de austeridade a qualquer custo, que já destruíram grande parte da economia do país e empobreceram grande parte da população. A manter o rumo traçado, a classe média ficará um dia reservada apenas para as lições de História, e o mais ridículo de toda esta situação é que apesar de tanto sofrimento e sacrifício não há meio de os resultados surgirem e uma réstia de confiança aparecer… pelo contrário! As metas traçadas relativamente ao objectivo do défice vão falhar, e não há um único sinal positivo que seja dado aos portugueses no sentido de lhes alimentar uma expectativa positiva em torno do resultado deste “enorme” esforço. As previsões macroeconómicas de Gaspar não convencem ninguém no país, nem mesmo lá fora, e o Orçamento de Estado apresentado que contempla um ajustamento que deriva em mais de 80% do lado da receita e em menos de 20% por via do corte da despesa faz com que as memórias da campanha de mentira do Primeiro-Ministro se revelem um excelente argumento de uma qualquer tragicomédia bem recheada de humor negro. Daquelas com pouquíssima piada.

Um Estado supostamente democrático tem que ter como voz predominante aquela que é a do Povo, pelo que a única solução que se poderá colocar é a de acabar com este Governo antes que ele acabe com o País, daí a inevitável necessidade de antecipar eleições. É absolutamente fundamental termos um líder que se imponha nas instâncias internacionais e que não seja obcecado com coisa alguma a não ser com a procura do bem-estar da população que o elegeu. É necessário cumprir com os compromissos assumidos, mas é ainda mais necessário que esse processo de cumprimento seja levado a cabo de forma gradual e realista, tentando mitigar ao máximo os danos colaterais decorrentes de uma assistência financeira que também é parte interessada num final feliz para esta saga de terror que assola a sociedade portuguesa, e que tem provocado na nossa nação as maiores manifestações de revolta e descontentamento de que há memória. Finda a discussão orçamental, é preciso que a reforma que o Estado terá obrigatoriamente que sofrer seja proposta pelos partidos em programas eleitorais que sejam apresentados aos portugueses e que posteriormente, após sufrágio, sejam aplicados com verdade numa governação transparente e de proximidade com o cidadão sofrido, no sentido de com este partilhar o péssimo momento que atravessa, apontar-lhe um rumo e restituir-lhe a Esperança.

Há uma altura em que se atinge o limite daquilo que é razoável… este limite foi já há muito ultrapassado. Chega.

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