Opinião – Natal a Passos

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Paulo Almeida DRPaulo Almeida

É tradição o Primeiro-Ministro dirigir aos portugueses uma mensagem de Natal, fazendo um balanço do ano que termina e uma previsão do que se seguirá. Para não repetir o esquecimento da referência aos militares no seu discurso de 2011, Pedro Passos Coelho, durante uma visita à Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA), aproveitou para dizer que quer encontrar em cada português um soldado na linha da frente da guerra intensa que Portugal hoje trava. Poderia ter sido um episódio como o do alegado impostor apresentado como coordenador de um centro de estudos da ONU que não existe e onde ninguém o conhece. Mas não, aconteceu mesmo, aqui em Portugal, e foi com o nosso primeiro-ministro, presidente do PSD.

As palavras de Pedro Passos Coelho foram inconscientes ao exortar o soldado que “existe” em cada português, bem como nas comparações bélicas que fez. Desde logo realça, suspeito que à semelhança de outros governantes e dirigentes que não compreendem a “Arte da Guerra”, que ele acredita que vivemos numa. Do que ele se esquece é que nesta guerra só há “mortos” numa das trincheiras. Pior: só existe uma trincheira! Por outro lado, só quem nunca esteve numa guerra é que levianamente se atreve a falar dela, em especial perante quem já lá esteve e efectivamente a viveu. Num momento de enorme infelicidade, Pedro Passos Coelho oscilou entre a desconsideração e o sarcasmo para com os soldados (que para PPC são todos os portugueses) que efectivamente já lutaram pela Pátria, ao seu serviço ficaram deficientes, e diariamente vêem as suas pensões reduzidas.

Palavras sensatas teriam repudiado a guerra, qualquer uma e de qualquer tipo, e teriam elevado a Justiça e a Paz à indissociabilidade. Pedro Passos Coelho falha discursos, para além de previsões. Seria bom ouvir neste Natal palavras de afecto pelos portugueses, um mínimo de optimismo e esperança. Quem muito sofre quer nesta quadra natalícia ser tratado com generosidade, desde logo com palavras de apoio da parte de quem nos governa. Lembrar a guerra numa época em que se celebra a vida, o nascimento de Jesus Cristo, a encarnação e revelação do Amor, é renegar o Natal.

Esperemos que a mensagem deste ano seja mais realista e ambiciosa do que a do ano transacto, que apresente mais estratégia e menos tácticas, como Sun Tzu ensinou. Que exiba um caminho de crescimento que permita que as pessoas vivam melhor, sem necessidade de armas ou coletes à prova de bala. Acima de tudo, um caminho não governado pela ignorância, a maior inimiga da Paz. Eu acredito que os portugueses são solidários entre si e capazes, como historicamente sempre o fizeram, de ultrapassar todas as dificuldades. A eles desejo um Santo Natal e Festas Felizes.

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