Opinião – Museu Nacional Machado de Castro – um novo museu que Passos Coelho devia conhecer

Posted by

Francisco Queirós

A reinauguração do Museu Nacional de Machado de Castro (MNMC) depois de seis longos anos de obras é um enorme acontecimento para a cidade e para o país. O acervo do MNMC tem um valor inestimável e a remodelação do espaço da autoria do arquitecto Gonçalo Byrne confere-lhe ainda mais dignidade e só pode elevar a cidade de Coimbra. A cidade reconhece, sem dúvida, os principais responsáveis por este acto. Adília Alarcão, Gonçalo Byrne, a actual directora e uma vasta equipa de técnicos e funcionários do museu.

À cerimónia de reabertura do MNMC compareceram os convidados, entidades oficiais, autarcas, representantes do poder central, académicos, etc. O primeiro-ministro de Portugal estava anunciado. E faltou. Oficialmente, Pedro Passos Coelho teria de participar no Conselho Europeu de quarta e quinta feiras, pelo que antecipou o habitual conselho de ministros para o dia 11. Ainda assim e apesar da justificação oficial a cheirar a desculpa, adivinhava-se que o primeiro-ministro fugiria ao embate com a população de Coimbra, logo ali mesmo junto à Universidade, no meio de agentes da cultura. O governo fez-se representar por um secretário de Estado que passou despercebido à chegada ao MNMC, sendo mesmo confundido pelos manifestantes que à porta aguardavam o representante do governo.

A ausência do primeiro-ministro na cerimónia de reabertura do Museu Nacional de Machado de Castro é simultaneamente reprovável e uma bênção. Reprovável porque a importância do acto exigia a presença de um dos mais altos responsáveis do Estado. Do próprio Presidente da República. Infelizmente, a cultura parece ser um conceito estranho para vários dignitários do Estado português. Uma bênção porque a Pedro Passos Coelho, o primeiro-ministro, pelas políticas que tem desenvolvido e em particular na área da cultura, se dispensava a presença. Dispensava a cidade e dispensavam-no os homens e mulheres da cultura. E se Coelho não esteve, foi notória a ausência de muitos que em tempos de decência, outros destes que se vivem, estariam presentes. Na inauguração deste espaço maior da cultura nacional, esperar-se-ia encontrar muitos agentes culturais. Mulheres e homens do teatro, das artes plásticas, da música, das artes em geral. À festa não podiam faltar figuras de relevo da investigação, da história, da arqueologia, de movimentos culturais da cidade, da região e do país. E há algumas mãos cheias de nomes que queríamos ter presentes. Eu queria. Não estiveram e como os compreendo. E o povo de Coimbra, onde estava? Onde estavam os vizinhos do museu, estudantes, habitantes da Alta e de outras partes da cidade?

O Museu Nacional de Machado de Castro sairá sempre bem. Não se confunda, o que é inconfundível. Os funcionários que nele trabalham e os que por este tudo têm feito, os principais autores da sua reabilitação também. Contudo, na fotografia de família para memória fica mesmo muito mal o poder político, um governo que despreza e teme a cultura. Um governo que trata ou maltrata a cultura, como um parente pobre e muito afastado. E que terá sempre conselhos europeus e outros solenes afazeres como prioridades. Mas os governos passam, já os museus, a arte, a cultura e os povos persistem.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*