Opinião – Matança de crianças

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PROVEDORIA AMBIENTE 07 GMM

Massano Cardoso

Sou frequentemente assaltado não pela dúvida mas pelo desespero face a acontecimentos que não consigo entender, sobretudo se as vítimas não têm qualquer responsabilidade ou participação. Sou frequentemente assaltado pela tristeza e até incompreensão face ao sofrimento atroz que atinge muitas pessoas, sobretudo os mais pequenos, inocentes vilipendiados perante uma natureza indiferente ao homem, embora não a possa considerar como cruel.

A crueldade é própria apenas de alguns humanos quando cometem crimes hediondos, como foi o caso de mais uma matança de crianças. Não é a primeira vez que tal acontece, outras já ocorreram e muitas mais irão acontecer no futuro, testemunhando a perversidade da natureza humana praticamente imune a todos os códigos de conduta e princípios religiosos.

Assalta-me a angústia dos que pretendem justificar tamanhos e criminosos atos, de que deus não tem nada a ver com isto. Argumentam que o homem é dotado de livre arbítrio e como tal o único responsável pelos seus atos. Uma opinião que não é mais do que uma tentativa para desresponsabilizar o divino quando perguntamos como foi possível que o criador deixasse que tal acontecesse.

A matança das crianças ocorreu no mesmo dia em que fui assistir à festinha de natal de um neto. Pais, avós, irmãos, amigos e muitos familiares comungaram durante algum tempo, absorvendo uma alegria suave, prazenteira e acolhedora junto dos pequeninos. Soube-me bem e preencheu aquela lacuna existencial que constantemente me assalta de dia para dia. Depois da festa soube que tinha ocorrido uma matança de crianças. Mais uma loucura. A mente de alguns humanos é muito estranha. A nossa espécie mata em nome de tudo inclusive da loucura e da maldade.

Fala-se tanto de milagres, fala-se tanto de d(D)eus e e(E)le esquece-se da sua criação, deixando que crianças sucumbem às mãos de um louco. A resposta é sempre a mesma: “são insondáveis os desígnios de deus”! Considero estar perante uma resposta perversa e cruel.

Invoca-se a divindade a torto e a direito e, no entanto, surgem acontecimentos desta natureza que afligem qualquer um de nós. Olho e encontro uma vazio inexplicável, indiferente às aspirações, desejos e ambições de uma espécie consciente, frágil, inconstante, arrogante, humilde, amorosa e perversa ao mesmo tempo.

O divino pode servir para muitos, mas não chega para mudar e ajudar a humanidade, a indiferença é tão visível, tão dolorosa, tão palpável que só me resta gritar-lhe, mas não vale a pena, somos frutos de um acaso que se transformou em necessidade. É com base nesta última que iremos continuar, tentando projetar alguma espiritualidade, criatividade e beleza para quem sempre manifestou indiferença. À falta de amor divino devemos oferecer a poesia dos seres humanos, dos que ainda sabem construir e adorar a vida, umas vezes com alegria e outras com sofrimento.

Que mais posso dar? Apenas um pensamento para as crianças e um abraço para os pais.

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