Opinião – Homenagem a Francisco Martins

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MÁRIO NUNESMário Nunes

O Natal é uma quadra especial para lembrar os amigos, reunir mais sentimentalmente com a família próxima e mais afastada, ofertar lembranças, confraternizar e matar saudades. No Natal ouve-se, também, música, que eleva a alma e aquece os corações e que estes gravam e jamais desaparece. Recuperam-se e ampliam-se valores seculares que afinam pela melodia e pelo ambiente musical que deles se desprende. A Orquestra Clássica do Centro operou em grandeza e qualidade neste período, pondo em prática um programa diversificado, rico em musicalidade, em amor e em conteúdos abrangentes ao gosto dos cidadãos. Um leque de atividades que, por ser Natal, agregou, também, gratidão e agradecimento. Neste gesto de paz e esperança a OCC, dirigida pela incansável e criativa Emília Martins, agendou homenagem ao lídimo cultor da guitarra de Coimbra, Francisco Martins, corolário do tributo que lhe fora prestado em Outubro de 2009, então com a presença de grandes vultos da vida política, social e musical de Coimbra, numa organização, também, da OCC. O Pavilhão Centro de Portugal foi o espaço ideal para a homenagem. Estivemos no encontro cultural e testemunhámos que o valor e apreço de e por Francisco Martins é sobejamente reconfortante. As intervenções dos oradores com saliência para Rui Pato e Carlos Encarnação, acrescidas da leitura de poemas por Carlos Carranca, dos acordes de guitarra de Octávio Sérgio e Rui Pato, dos sons de piano por José Martins e da voz de José Miguel Baptista no “Epigrama para uma despedida”, completadas com a intervenção da Presidente da Direção da Orquestra, carregada de emoção, marcaram momentos sublimes de exaltação ao homenageado e evidenciaram atitudes de reconhecimento cultural e humanístico, que muito honram a cultura e a Canção de Coimbra.

Escrever sobre Francisco Martins é acrescentar mais palavras, sempre poucas, para enaltecer o talento do intérprete, compositor e guitarrista. É reforçar o pensamento ativo que mora nos conimbricenses, é validar o pendor de reconhecimento de Rui Pato, seu companheiro desde os 12 anos: “ele é um dos maiores intérpretes de sempre da guitarra de Coimbra e um dos marcos históricos da música da nossa cidade”. Ou, colher a afirmação de Armando de Carvalho Homem: “uma audição de um ou mais temas de Francisco Martins nunca me deixa indiferente”. Ou, ainda, buscar as palavras de Emília Martins: “é um dos maiores músicos de sempre da Canção de Coimbra, um grande intérprete da guitarra portuguesa e um compositor que marca a História desta cidade”.

E, foi nesta linha de ação que a iniciativa louvável da OCC, graças à coragem de Emília Martins, prestou mais um relevante serviço cultural, porquanto acrescentou ao encontro/homenagem, o apoio da Editora Almedina na edição de um livro com vários depoimentos de amigos e inteletuais, a biografia do cultor e a inclusão de 13 partituras suas, livro que vem imortalizar parte da sua obra e abrir caminho para a sua orquestração. Enfim, a justa e merecida homenagem graças ao dinamismo da OCC. Mais um exemplo cultural que a Secretaria da Cultura e as entidades de Coimbra devem registar.

One Comment

  1. Francisco Paz says:

    Tudo o que se possa fazer a Francisco Martins, homem, compositor e músico, parecerá pouco perante a dimensão das suas qualidades e capacidades. As suas qualidades artísticas já foram evidenciadas por quem sabe da poda e portanto eximo-me de as voltar a referenciar, mas recordo como Francisco Martins se recolheu sempre na atitude humilde da dúvida do seu real valor, da ansiedade de saber se as suas prestações colheriam satisfação. São as qualidades do Homem e do Cidadão de corpo inteiro que quero aqui expressar, assim como a minha eterna admiração e enleio pelos acordes da sua guitarra mágica. Um amigo…Maior que o pensamento.

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