Opinião – Custe o que custar

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Foto Luís Carregã

Fernando Regateiro

Quando Passos Coelho diz que não o incomoda a contestação e que as suas políticas irão para a frente “custe o que custar”, está a passar uma mensagem de auto-confiança e de determinação, indispensável para o exercício do poder. Só que, se tem que o dizer, é porque sente que os concidadãos não o sentem. E quer forçar a percepção!

Estas afirmações e o aparente enfado com que é olhada a revolta contra a violência dos cortes orçamentais e as enviesadas reformas, fazem pensar que Portugal seria um paraíso, sem portugueses!

Isto, apesar de a contestação encontrar suporte no Presidente da República, em referências dos partidos da Coligação e em insuspeitas personalidades, como Christine Lagarde quando diz que o FMI se enganou, ou como Schroeder e Krugman quando opinam que é preciso renegociar os compromissos e dar tempo e recursos à economia para que esta funcione, evitando a asfixia dos cidadãos e mais pobreza.

Também seremos incómodos, quando discordamos do recuo do Governo na intenção de negociar a extensão a Portugal de algumas facilidades concedidas à Grécia. Irrita-nos, porque o fez por Berlim e Paris não concordarem e, ainda mais, pelo desconsideração e cinismo do argumento destes – a auto-estima!

Aqui, bem podia o Governo teimar. Teria o País a apoiá-lo e a honradez, o esforço e a abnegação cívica dos portugueses para pôr em cima da mesa. Recuou e perdeu uma oportunidade de ouro para ganhar músculo internacional.

É tempo de ouvir o presidente da Cáritas: “Se cortarmos no Estado Social … passaremos rapidamente para uma taxa de 43% de pobres”. ”Qual é o país que consegue vingar com 43% de taxa de pobreza?”

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