Opinião – Coimbra… capital do amor em Portugal

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Luís Santarino

Igreja de Santa Cruz, Largo de Sansão, onde Luíz de Camões, Afonso de Castro e João da Gama, se obrigavam a ser oposição a Lisboa. Ao Reino.

Afonso de Castro dizia Camões que tinha pena de não saber versejar. Ao que retorquia o poeta; “pois não tenhais pena, e Deus vos livre da tal desgraça de ser poeta. “Loucos devaneadores que vivem e morrem na ânsia de um sonho”!

Enquanto isso, João da Gama, tocador e cantador, não se cansava de criar para Camões.

Sá de Miranda chamava nas suas quintinlhas “parvos honrados” aos de Coimbra, porque a todos acolhiam de braços abertos.

“Já não tenho mais mão onde morderem”, digo eu

Começa o mais belo dos dias. Daqueles que não queríamos que acabasse. Andar a “fazer piscinas”, trocar olhares, mandar sorrateiramente os mais dos beijos, doces naturalmente, muitos e tantos devolvidos, que se tocavam no ar!

Que lindas as jovens senhoras!

Cada vez que a “nossa mais que tudo” entrava na Igreja D’El Rei D. Afonso Henriques, a nossa voz ouvia-se no nosso interior, como os nossos melhores cantores; “Igreja de Santa Cruz/Feita de pedra morena/Dentro de ti vão rezar/Dois olhos que me dão pena”.

Era a minha Coimbra. A Coimbra da Brasileira, onde “lentes” e outros lentes se encontravam. Onde a intelectualidade traçava os destinos da nossa cidade e, quantas vezes do país! A Coimbra do Arcádia, onde semana a semana se “faziam as linhas” da Académica que deveriam jogar no domingo próximo. A comunidade de gentes de todo o mundo que Coimbra adoptou como sua.

Era a cidade de toda a gente, dos pintores, dos poetas, dos boémios, das pessoas que se confundiam e expandiam num sussurro de esplendor.

Era o respeito por todos e cada um. Uma centralidade que urge devolver a Coimbra. Para que Cidade e Universidade se unam de forma e renovada grandiosidade; para surgir uma dimensão ainda mais universal!

Um dia, em nome da modernidade acabaram com os eléctricos. Aqueles cavalos de ferro não eram dignos da única cidade universitária de Portugal. Depois, fechou-se o trânsito na baixa…e a baixa morreu!

Vamos ter de reabrir a baixa aos cidadãos… da cidade e dos lugares. Para que o comércio de qualidade, para que as grandes marcas e outras, não se envergonhem de se mostrar ao ar livre.

Coimbra precisa de ter, não uma, mas várias casas de cultura. A casa dos pintores, a casa dos escultores, a casa dos poetas, a casa do teatro, a casa dos escritores, a casa das tecnologias, tantas e tantas casas, as que forem necessárias para devolver a Coimbra o seu esplendor.

Muitas casas, onde se cruzem e identifiquem as mais variadas culturas que fará de Coimbra a cidade mais cosmopolita.

Se Portugal deverá lutar para ser no futuro o centro da Europa dada a sua privilegiada situação geográfica, Coimbra deverá ser a sua principal referência.

Com tanto espaço fechado, a autarquia deverá assumir a responsabilidade de adquirir e “animar” esses espaços. Caro, muito caro, não é o preço nominal que se paga, mas o que não se fez…ou não se fará!

Tânia Ganho dizia que vir a Coimbra começa a ser agradável. Esteve afastada mas precisa de voltar a sentir o cheiro. Um cheiro que sentimos quando nascemos e que nunca mais abandonamos.

Seja bem-vindo quem vier por bem!

Miguel Matias meteu mãos à obra e começou a dar vida à nossa baixa. O “be coimbra várias coisas” começa a ser uma referência agradável!

Os estudantes, estrangeiros ou nacionais, chegam aos milhares a uma cidade de referência; transformaram o sonho em realidade! Deveremos criar as condições para que, o que hoje parece perto, se torne muito longe. Criar as condições para que, quem aqui estuda ou trabalha se sinta como em casa.

Para que um dia não se cante, “lá longe/ ao cair da tarde/vejo nuvens de ouro/que são os teus cabelos”!

Cantemos sempre, em todas as ocasiões, o hino que nos abençoa; Coimbra é uma lição/de sonho e tradição… quem a ama não enjeita!

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