Opinião – 2013. Que seja rápido!

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FERNANDO SERRASQUEIROFernando Serrasqueiro

O tradicional desejo de Bom Ano tem desta vez uma conotação hipócrita. Todos sabemos que irá ser pior que o anterior mas não queremos afastarmo-nos dos hábitos e das tradições ameaçadas.

2102 foi um mau ano para o nosso país, com surpresas para quem não se apercebeu do projeto que tinha saído vencedor das ultimas legislativas. Nunca elegemos um governo tão à direita como este, sob a liderança dum partido dito social-democrata. Para 2013 ninguém já tem dúvidas de que será pior, com uma maioria parlamentar que já não corresponde ao sentir do país.

A crise não foi contida às economias periféricas como Portugal, Grécia, Irlanda, Espanha, Malta e Itália, foi-se alastrando. Com a Alemanha empenhada, ela própria, numa rigorosa disciplina orçamental, a depressão está impregnada em toda a Europa.

De repente todos os países se deram conta que têm uma dívida elevada e que a desejam resolver em poucos anos, muitos menos do que levou a constituir.

De fora da Europa não vêm boas notícias. Ameaças de guerras e políticas económicas contra acionistas. Até os especuladores se têm de refugiar nas matérias-primas, nas moedas de mercados emergentes e em instrumentos de créditos que aproveitam os estados de necessidade

A crise da zona euro não se resolve por incapacidade de construir um projeto solidário e de cooperação, mas que se desmoronou por falta de visão estratégica e de líderes com dimensão europeia.

Procuram-se dirigentes e um reforço de confiança numa união de povos. Até o Reino Unido se aproveita da situação em benefício próprio e vacila entre a saída da UE e o fortalecimento das suas posições, usufruindo de debilidades alheias.

Reconheço que se criou um ambiente nacional e internacional de defesa dum modelo ideológico de Estado mínimo que crie amarras para a sua perpetuação. Nascido sob o lema do modelo único cativou vários eleitorados na ideia que se começa por pagar todas as dívidas e só depois se pensa em criar mais riqueza. Isso evita o investimento e as importações. O erro está só que o modelo de crescimento não é etapista, num ambiente global competitivo. Não há crescimento sem o incremento do investimento criativo e as importações não são mais de exportações de outros. Há uma crise de valores, de projetos e de chefias. A Alemanha substitui-se no papel de motor do espaço europeu para ser uma delegação do FMI.

Duma união passamos para zonas de desconfiança, de divisão dum centro e de uma periferia. Os políticos demitiram-se de o ser para passar a financeiros sem capacidade de reação. Por isso só espero de 2013 lideranças e partilha de valores. Já me basta.

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