Opinião – 2013 – O regresso ao passado ou o caminho do futuro?

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Francisco QueirósFrancisco Queirós

O final de um ano é tempo de balanço e de projectar o ano vindouro. O progresso, a melhoria das condições de vida integram os sonhos de todos. Assim foi e asssim será. Mesmo nos tempos mais difíceis. Sob o domínio de ditaduras e tiranias o ser humano sobrevive, alentado pela esperança num dia melhor. E resiste.Combate.

Recordo as reportagens televisivas dos soldados na época natalícia da minha infância. “Daqui fala o soldado 157. Desejo um Bom Natal e um Ano Novo cheio de Prosperidades para toda a família”. A mensagem de um militar na guerra era de esperança e endereçava votos de prosperidades ou, por vezes até, de propriedades.Mesmo nas noites mais tristes, há quem resista, diz o poeta. Os seres humanos suportam sacrifícios, sujeitam-se a dificuldades tremendas, mas com a esperança de que logo em breve tudo será melhor. As bombas caem, os tiros cruzam-se, há fome e desgraça, mas tudo isso acabará e dará lugar a dias melhores. É assim o ser humano. E não há ser humano que aceite resignado uma condenação perpétua a uma vida pior como punição, expiação ou pagamento por malfeitorias e crimes que não cometeu. É da natureza humana. Muito menos haverá um só povo disposto à resignação, que se renda e se entregue ao passado.

O plano da troika executado com esmero pelo governo é um regresso a um passado longínquo. O poder de compra, o bem-estar e os direitos sociais oferecidos como inevitáveis são um regresso a muitas décadas atrás. O que anunciam é ainda a proibição da esperança e do sonho. A condenação colectiva de um povo à submissão total ao grande capital estrangeiro de que a troika é rosto. A condenação de aposentados, reformados e da esmagadora maioria dos que vivem do seu trabalho a tempos de miséria. A condenação à emigração, a fuga em massa, uma expulsão colectiva.

A pena imposta ao povo português, e que este cumpre, será agravada em 2013 e não se vislumbra o seu termo. Aliás, muitas das penalizações sê-lo-ão para sempre, anunciam.

Enganam-se!2013 pode e tem de ser o retomar da esperança que nasce da luta. Não há povo que aceite a interrupção da história. Os relógios não páram e os calendários dos anos quarenta do século vinte estão esgotados. 2013 será o que este povo quiser que seja. Um destino conjugado com verbos de acção em tempo futuro.

 

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