Fio de prumo – Sinais

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LUÍS PARREIRÃO

Luís Parreirão

Se alguma política pública se vem mantendo constante ao longo da última década , ela é, sem dúvida, a de estímulo e suporte à internacionalização das empresas portuguesas e de apoio à identificação e presença em mercados de maior crescimento.

E tais políticas têm tido um significativo grau de concretização – pública e privada – nos vários países da lusofonia.

Mesmo um observador pouco atento certamente terá presente que tanto Luís Amado como Paulo Portas, e o mesmo se diga de Pedro Reis e de Basílio Horta, sempre consideraram as relações económicas com o Brasil, Angola ou Moçambique como prioritárias nas suas agendas.

E o mesmo se diga das empresas portuguesas que estão hoje presentes em muitos países lusófonos quer exportando quer ali instalando novas unidades produtivas. Ou seja, parece que, pelo menos por uma vez, todos têm estado a fazer o que devem.

Tudo isto torna mais incompreensível, a meus olhos, a venda, pela CGD, da sua participação no Moçambicano Banco Nacional de Investimentos. Pode, até, existir uma boa razão, só que, até agora, não a vi expressa e é necessário e urgente que tal aconteça.

Tive oportunidade, por razões profissionais, de ir conhecendo a expectativa que a criação deste Banco gerou nas autoridades e empresários moçambicanos, bem como em muitos empresários portugueses.

Num país ávido de investimento e onde o crédito é escasso e caro, o BNI parecia configurar-se como a solução certa para estruturar e potenciar muitos investimentos, nomeadamente em infraestruturas e unidades industriais. Banco detido, em partes iguais, pelos dois Estados, razoavelmente capitalizado, com uma estrutura de gestão e de direcção qualificadíssima, a sua constituição e a sua entrada em funcionamento foram um sinal positivo fortíssimo nas relações entre os dois países e as respectivas economias. Mas foi sobretudo um sinal de longo prazo para os empresários portugueses que cada vez mais olham para Moçambique como um país de futuro para os seus investimentos.

Por isso não se compreende que sinal se quer dar com a venda da participação portuguesa no BNI.

Não se percebe que sinal se pretende transmitir às autoridades moçambicanas, mas, sobretudo, não se percebe que sinal se quer dar aos empresários portugueses.

Para além disso, seria importante que os autores e os actores da nossa política pública de internacionalização da economia portuguesa nos elucidassem sobre a razão da decisão.

É que, desta vez, estariam a esclarecer uma questão relevante que certamente não se esbaterá na espuma dos dias.

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