Discos com primeiras gravações de música portuguesa doados à Universidade de Aveiro

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140108 UNIVERSIDADE DE AVEIRO LUIS CARREGA

O investigador José Moças vai doar a sua coleção de discos antigos, contendo as primeiras gravações de música portuguesa, à Universidade de Aveiro (UA), no âmbito de um protocolo a assinar esta segunda-feira.

“Entre os cerca de seis mil discos de 78 rotações que vão ser doados à UA estão os quatro discos que resultaram da primeira sessão de gravação feita em Portugal, em 1900”, disse à Lusa José Moças.

Esta sessão de gravação ocorreu no Porto, no âmbito da primeira embaixada dirigida por Emile Berliner, para promover o gramofone na Europa.

A coleção de José Moças, de discos editados entre 1900 e 1950, inclui registos de música tradicional portuguesa, música para teatro de revista, monólogos, música inspirada no tema da implantação da República e música erudita, nomeadamente ópera, mas são as gravações de fado que predominam.

“A coleção foi construída ao longo de vários anos, à base do meu esforço e pesquisa em Portugal, em tudo o que é alfarrabistas e feiras de velharias”, disse o investigador e editor.

José Moças diz que escolheu a UA para doar os seus discos, devido à sua relação de amizade com a especialista em Etnomusicologia Susana Sardo, que dá aulas nesta instituição.

O investigador realça ainda que o reitor da UA “mostrou um entusiasmo muito grande” e disse que a Universidade estava “interessadíssima” para poder desenvolver projetos de investigação com base no seu espólio.

Nos serviços de Biblioteca, Informação Documental e Museologia da Universidade de Aveiro, que irão acolher os discos, a coleção poderá ser tratada, classificada, digitalizada, divulgada e também estudada.

One Comment

  1. miguel joaquim says:

    Grande homem. Grande entusiasta! José Moças fez um trabalho tão importante quanto giacometti. Não deixou extinguir um pedaço da história fonográfica, , como giacometti não deixou extinguir os cantos de amor e trabalho na memória dos mais velhos. Embora gravados, alguns destes discos correriam o risco de nem sequer habitar a memória dos mais velhos, pela raridade ou ausência de popularidade.
    Um bem haja a pessoas com esta dimensão , estendendo este elogio a todos quanto participaram nesta operação de salvamento do nosso patrimônio.

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