Opinião – Sem economia, não há finanças

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Luís Vilar

Tenho vindo a escrever sobre a crise financeira da União Europeia e, inevitavelmente, acerca do que se passa em Portugal.

No momento em que escrevo este artigo, ainda não se sabe ao certo o que veio fazer a Portugal a Chanceler Alemã.

A única coisa que se sabe é que vem falar com o primeiro ministro e com o Presidente da República sobre o ensino profissional e de um “banco” de investimento para incentivar a economia.

Mas, nesse caso, e como li recentemente, veio transmitir o que já sabemos e tivemos em Portugal.

O verdadeiro ensino profissional para melhorar a qualidade dos trabalhadores portugueses existiu no passado através da Escola Comerciais e Industriais, com um enorme erro, que era o facto de a escolha dos jovens ser aos 10 anos de idade, o que só garantia um ensino geral comum durante 4 anos, que se chamava a Escola Primária.

A necessidade de um Banco de Fomento, também é conhecida, aliás, tivemos em Portugal o Banco de Fomento Nacional que acabou por não desempenhar o seu papel em grande parte porque o sector financeiro nunca o viu com bons olhos.

Tenhamos a coragem de assumir que havia boas experiências que, invariavelmente, eram subvertidas ao sabor da força das forças económicas e financeiras.

Mas, Angela Merkel, não poderia trazer nada de concreto, uma vez que em 5 horas de passagem em solo de Portugal, nem sequer dá para comer e para as honrarias com que vai ser mimada.

Na minha opinião, a sua vinda a Portugal, não passa de um apoio fugaz (será que não vai ser ao contrário) à actual política de austeridade que, durante um ano, o Governo implementou, sem qualquer resultado ao nível da redução do défice público.

Melhor seria que viesse dizer ao Governo que o memorando inicial assinado com a Troika, previa e bem que, para reduzir o défice, deveriam ser introduzidos mecanismos na despesa pública que atingissem 2/3 desse défice e que o outro 1/3 é que poderia ser de impostos e baixa de salários.

Na verdade, repito, ao fim de 18 meses de austeridade para os portugueses, verificamos que a despesa de Estado aumentou e que só aqueles que trabalham por conta de outrem é que estão a pagar a crise financeira, além das micro e pequenas empresas.

Também poderia vir aconselhar o Governo a investir no Sector Primário: Agricultura, Pescas e Ago-Pecuárias. Sendo que esta seria a única chance de Portugal equilibrar a sua balança comercial, uma vez que somos fortemente dependentes no ramo alimentar, importando bem mais de 50% do que consumimos.

Mas isso implicaria uma “Refundação” de muitos Tratados Europeus, nomeadamente, o Plano Agrícola Comum (PAC), que está concebido para servir os Países mais ricos e, em particular, os Países do Norte Europeu.

Tal como em relação à Grécia, poderá agora querer vender-nos Corvetas, Tanques e Aviões que só nos colocarão numa maior dependência dos ditos “mercados financeiros”.

Como tem sido dito e escrito por muitos dos conceituados economistas mundiais, nada alterará a máxima: “sem economia não existem finanças”.

Ao contrário de muitos, entendo que a Senhora Merkel, deve ser recebida com toda a cordialidade. Temo, contudo, que seja recebida com a subserviência dos “coitadinhos” que, apesar de serem “bons alunos” na disciplina de Austeridade, não estão a conseguir superar a crise.

A crise Europeia e Americana passa pela ascensão do Poder Político sobre o Poder Económico; passa por criar condições económicas para as Pessoas, de tal forma que as obrigações de um Estado, sejam: tomar conta dos Cidadãos, não ficar na mão dos investidores “selvagens” e especuladores, sob pena de serem, mais tarde, tornados desnecessários.

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