Opinião – No século XXI, a 14 de Novembro de 2012, uma das maiores greves gerais de sempre

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Rita Rato

Até há pouco tempo, alguns diziam (os do costume, os que nunca precisaram de lutar para defender direitos fundamentais) que “o tempo das manifestações e das lutas já lá ia, e que a luta de classes já estava mais que ultrapassada” que agora era tempo de comer e calar. Ora, com o agravamento brutal de uma das maiores crises do capitalismo e a devastação social e económico que provoca todos os dias, quis o tempo dar razão a todos aqueles, homens, mulheres e jovens que nunca baixaram os braços.

A Greve Geral de 14 de Novembro convocada pela CGTP-IN foi um poderoso NÃO à exploração e ao empobrecimento por um Portugal com futuro. Os trabalhadores construíram uma das maiores Greves Gerais realizadas até hoje afirmando a necessidade de derrota do Pacto de Agressão das troikas, deste governo e desta política antes que acabem com o País.

A Greve teve um profundo impacto em todo o País. Em Coimbra, não circularam os autocarros dos SMTUC; as cantinas universitárias não funcionaram; não saiu um único carro de recolha de lixo em Coimbra durante a noite; pararam os comboios com 90% de adesão na REFER, 100% na CP Carga e bilheteiras de Coimbra; na saúde, cumpriram-se apenas os serviços mínimos; no Hospital dos Covões estiveram encerradas as consultas externas, os serviços administrativos, e na limpeza 80% fizeram greve. Nos Hospitais Universitários de Coimbra, 91% dos trabalhadores fizeram greve nos serviços de alimentação, e na limpeza 75%; mais de 40 de escolas e jardins de infância encerrados no distrito.

Num momento em que fazer Greve e perder um dia de salário é extremamente difícil, milhares e milhares de trabalhadores numa demonstração de grande coragem e determinação, enfrentando chantagens, ameaças, condicionamentos e ações repressivas fizeram História. Tem um significado profundamente valioso, todas aquelas mulheres e homens, muitos jovens que fizeram greve pela primeira vez, e participaram nos piquetes e manifestações.

É uma alegria imensa e verdadeira, aquela que vi no olhar dos homens e mulheres “imprescindíveis” que construíram a 14 de Novembro mais um Dia Grande na longa jornada de luta que os trabalhadores e o povo português vêm fazendo na defesa de um Portugal com futuro, de uma política patriótica e de esquerda. Dia 27 Novembro continua!

 

3 Comments

  1. pedro Carvalho says:

    uma grevezinha no privado ? Não? Então se foi uma das maiores de sempre, mais uma vez se confirma que a greve é feita pelos funcionários do estado. Pelos funcionários de um estado eleito democráticamente. Os que mais direitos têm (seja pela ADSE seja por regras de despedimento diferentes dos privados). Quando a empresa privada onde trabalhava foi à falência, fiquei sem emprego. Quando o Estado fica insolvente, o trabalhador do estado faz greve para não se pagar ao credor…

  2. Pedro Garcia says:

    Este nem por ter levado no corpo com o desemprego aprendeu.

  3. Sejamos honesto: com uma greve contra o governo, faz sentido o setor privado fazê-la?

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