Opinião – No futuro de Portugal

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Francisco Queirós

Afinal, não são todos iguais! O congresso do Partido Comunista Português que amanhã tem início é prova disso. Na maioria dos partidos políticos, o chefe ou candidato a chefe escreve e propõe uma moção que, depois de aprovada, se torna a linha de orientação que todos seguirão.

A própria eleição do líder resulta da maior força de um grupo, vulgarmente unido em torno de interesses comuns, face a outros grupos rivais. O Partido Comunista não é assim. O seu órgão máximo entre congressos, o Comité Central, propõe um projecto de resolução política para discussão em todo o partido. E assim acontece. Milhares de militantes em muitas centenas de reuniões analisam e discutem a proposta de orientação política, apresentando propostas de alteração e elegem os delegados. O documento que chega amanhã ao conclave máximo do partido é já o resultado de opiniões, críticas, sugestões e propostas de milhares de membros do partido. Durante o congresso a proposta será ainda discutida e alterada pelos mais de mil delegados eleitos. A democracia que o PCP pratica conduz mesmo a que as propostas que constrói tenham sido apresentadas, com convite para reflexão e contributos, a muitas centenas de independentes. O rumo do partido, as suas propostas para o país são de autoria colectiva, fruto de um muito amplo debate, resultado da reflexão de milhares de membros. Esta forma de funcionamento testemunha inquestionavelmente uma profunda democracia interna.

Claro que muitos portugueses desconhecem que o PCP é assim. Os “papões”, os preconceitos anticomunistas e uma ignorância atávica, esmeradamente estrumada, explicam que assim seja. Enfiar todos no mesmo saco – são todos iguais! – tem, muitas vezes, propósitos mais ou menos escondidos com o rabo de fora. Na verdade, muitos, mesmo os que os retractam, ignoram não só o modo de funcionamento, como as propostas e o programa que os comunistas defendem para Portugal.

O XIX Congresso do PCP decorre a partir de amanhã num contexto de particular exigência, complexidade e importância para a luta emancipadora dos portugueses, sob uma brutal ofensiva e uma profunda crise do sistema capitalista. Portugal é um país cada vez mais injusto, mais desigual, mais dependente e menos democrático. O momento que se vive em Portugal, e não só, é de uma gravidade extrema. Mas a alternativa não só existe como é inevitável. Uma política patriótica e de esquerda constitui um imperativo nacional. E milhares de não comunistas percebem que para tal alternativa é determinante o reforço do PCP, o desenvolvimento vigoroso da luta dos trabalhadores e dos portugueses em geral e a alteração da correlação de forças no plano político no sentido de um empenho na ruptura com o actual caminho de desastre.

Muitos e muitos portugueses de vários quadrantes políticos compreendem que os comunistas não só fazem falta como serão necessários e mesmo imprescindíveis para inverter o rumo. Como em muitos outros momentos da nossa história, mas talvez como nunca antes.

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