Opinião – Já cansa a ideia de decidir, não decidir

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Lucílio Carvalheiro

Pelas relações e omissões que resultam das doutrinas, contagiantes, dos tecnocratas e o consequente hipotrofismo político, Portugal, durante este ciclo temporal, tornou-se um condomínio dos arautos da ideia política de decidir não decidir.

Também o facto de a acção política ficar congelada, sem mais, pelo consentimento apático do interlúdio «Troikiano», provoca o esvaziamento do poder parlamentar – poder delegado pelo eleitorado – o que ilustra bem o desprestigio em que tombou a ideologia democrática como instrumento de Governo Nacional. A Liberdade política democrática está interdita nos partidos políticos do “arco da governação”, o PSD e o PS, – a disciplina parlamentar só autoriza um sindicato; o sindicato Troika vs Ministério das Finanças.

E já cansa, igualmente, o poder narconizante de numerosos obreiros do bloqueio político. É vê-los, todos os dias, a toda a hora, a perorar a sua muito própria noção de normalidade idiossincrática: eleições antecipadas será um desastre de consequências desastrosas para o País!!!

Todavia, na sua loquaz manha salvante retêm um equilíbrio, parcialmente já firmado, qual seja: lá para Março, perante o desastre social, já anunciado, exerceremos o nosso poder de “élite” política humanista, ritualista e de tráfego de influência; já cansa tanta hipocrisia, cobardia, oportunismo.

E tão convicto estou destas ignomínias politicas que até o próprio FMI não espera mesmo por qualquer acontecimento para antecipar a revolta social em Portugal.

Precisamente. Os actos danosos, dolosos, da Governação acentua a minha vontade de intervir publicamente apelando ao bom-senso, dizendo que a razão de Estado exige o conhecimento da «natureza humana», o conhecimento minucioso das pessoas, que é, não nos iludamos, o instrumento primacial do poder. Neste sentido, o Governo que tem ignorado, de forma ostensiva, as pessoas e a «natureza humana» ,quatidianamente luta para arrumar e ordenar um coas de desarrumação, sentindo-se desnorteado ao ver-se obrigado de tudo recomeçar nas vésperas de tudo ter concluído …taxa TSU, taxa IMI, Consertação Social, etc, etc.

Ora, parece-me evidente a necessidade do Partido Socialista, como maior partido da oposição, se pronunciar claramente sobre estes pontos basilares:

a) Conformar a sua acção com os princípios fundamentais – não se demitindo o Governo, apresentar uma Moção de Censura – evitando uma desprestigiante incerteza, a dois dias da votação do Orçamento do Estado para 2013, sobre o que neste virá e,

b) para nos poupar, eleitores e população em geral, ao trabalho de refazer, quiçá, de forma violenta o poder político por virtude da rejeição de um princípio basilar em que assenta – adaptar o Governo à autoridade do Estado.

Só assim se poderá fazer obra política útil e com um mínimo de dificuldades sociais – que tantas são. O logro, como método de decidir não decidir, é um atropelo à fidelidade dos princípios democráticos que não merecem todos os bons democratas portugueses.

Decerto. Invocar que a credibilidade de Portugal, no plano externo, ficaria prejudicada havendo eleições antecipadas é um argumento sem sustentabilidade causal; Portugal não conseguiu que os investidores externos comprassem a colocação da recente divida soberana – não fora a banca nacional a suportar, o leilão ficaria deserto; assim como os investidores estrangeiros não aceitaram o desfasamento temporal da dívida cuja maturidade será em Setembro de 2013.

Palavras para quê, quando os factos não o comprovam?

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