Opinião – Guardiães da Sé Velha comemoram 20 anos

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Mário Nunes

Volvidos 20 anos, os Guardiães da Sé Velha mostraram aos muitos fiéis que encheram os bancos do templo, que valeu a pena percorrer um caminho de coragem e mesmo de aventura, para enobrecer e revitalizar o maior monumento português em estilo românico e prestar-lhe as honras que lhe devem ser ofertadas.

Domingo, os Guardiães ostentaram as suas insígnias, medalha de prata com a efígie de Santa Maria de Coimbra, e testemunharam, solenemente, que a Sé Velha, Catedral Histórica de Coimbra, preserva uma mística sem paralelo. Domingo, marcámos, novamente, presença, como Guardiães e como defensores do património cultural e natural da cidade e do país, adicionando essa presença às dezenas e dezenas que efectuámos e que nos levaram a subir os degraus que conduzem à porta principal da Sé, encimada por um grande janelão e coroada por ameias. Entrámos na austera e grandiosa nave e quedámo-nos, mais uma vez, emocionados, perante o inigualável retábulo de madeira dourada e policromada, obra dos escultores flamengos Olivier de Gand e Jean Ypres, o primeiro e grande retábulo instalado em Portugal. Mas, lembrámos, também, as vezes que passámos a porta da residência paroquial, rua do Norte, para reunirmos, discutirmos e tomarmos decisões em favor da Catedral de Coimbra. E, foi numa das salas daquela residência paroquial, ocupada por Monsenhor João Evangelista, e por sua iniciativa, que nasceu a Associação dos Guardiães da Sé Velha. Um ofício daquele entusiasta e dinâmico sacerdote, datado de 1 de Maio de 1992, agendava a data de 21 de Maio daquele ano, pelas 18 horas, para iniciar o sonho que acalentava de “ver a nossa Sé Velha mais acarinhada e dignificada no contexto do burgo citadino e como jóia do nosso património artístico e cultural”.

Cerca de uma dezena de pessoas convidadas, a que João Evangelista apelidou de Homens-Bons, prontificou-se a constituir uma Associação que assumiu a salvaguarda e a valorização deste ex-libris da cidade de Coimbra, com iniciativas bem estruturadas que vencessem os muitos e tradicionais obstáculos burocráticos que, naquela altura, emperravam, já, quem desejava encontrar soluções para melhorar o templo. Uma reunião de profunda reflexão venceu os inevitáveis Velhos do Restelo e congregou, no mesmo patamar de objectivos, pessoas responsáveis, que sob a presidência de João Evangelista (um timoneiro de plena mestria e decisão) elaboraram os seus próprios regulamentos, a composição dos órgãos sociais e o modo de acção, com o conhecimento e anuência do Prelado Diocesano, principiando uma cruzada de bem – fazer dedicada a restaurar e valorizar o espaço de culto e, também, cultural, e proceder à ordenação de visitas com guardiães e pessoas habilitadas a servir de cicerones.

A Catedral de Santa Maria de Coimbra comemorou no sábado e domingo mais um aniversário da sua Sagração. Programa religioso e cultural, com cortejo litúrgico, admonição, restauro das telas de Santo António e Santa Úrsula, novo órgão e Missa Pontifical presidida pelo Bispo da Diocese, D. Virgílio Antunes. Momentos de intensa espiritualidade. Um programa em que sublinhamos a dedicação dos Drs. José Mariz e António Jorge Silva no apoio ao património da Catedral.

Catedral Histórica de Coimbra, um monumento de pedras vivas, pedras que falam e sentem, e têm muitos “recados” e honras para contar aos vindouros. E, passaram vinte anos dos Guardiães!

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