Opinião – Desemprego e pobreza

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Joaquim Valente

Para minorar as situações de pobreza em Portugal, o Estado desde o século XIX, de uma forma organizada, é o principal interventor social, a par de outras instituições em especial a Igreja Católica.

As causas da pobreza não são sempre as mesmas, umas resultam da incapacidade física ou mental para o trabalho, outras, a grande maioria, é de quem quer trabalhar e não tem e não encontra emprego.

Infelizmente, hoje em Portugal a maior parte da pobreza já está relacionada com o desemprego, que por sua vez tem origem nas políticas financeiras, económicas e sociais levadas a cabo pelo governo.

De acordo com as estatísticas quase um em cada cinco portugueses em idade activa encontra-se desempregado por causas extrínsecas ao próprio indivíduo principalmente em pessoas que sempre viveram do seu trabalho

Pelo desemprego são atingidos os jovens, os menos jovens, os mais qualificados, os menos qualificados, desde engenheiros, a professores, pessoal médico, técnicos, administrativos, empregados da restauração e da construção, etc, homens e mulheres que querem ser úteis ao País com o seu trabalho e não o têm.

Nunca, na história do Portugal Contemporâneo, os índices de desemprego e de pobreza social atingiram tais proporções, com a panóplia de consequências sociais, económicas, psicológicas e culturais.

A gravidade e os perigos sociais desta pobreza forçada e injusta, é um dado que qualquer governo avisado e sensato devia ter em conta, por tudo aquilo que em si podem representar em termos de convulsões sociais.

Um pouco de atenção ao evoluir da história do Republicanismo em Portugal é suficiente para se deduzir quão determinante são para a “saúde” política, a estabilidade social, o emprego e o desenvolvimento económico.

O desemprego, a fome, a indigência social, a iniquidade e a injustiça humanas são “ingredientes explosivos” do ponto de vista civilizacional, com consequências imprevisíveis.

Porque persiste o governo em querer “detonar” tal carga explosiva?

Ainda esta semana vimos anunciar pelo responsável político do sector o corte de 10% do subsídio de desemprego, com a justificação de que o objectivo principal era fazer regressar os desempregados rapidamente à vida activa. E onde estão os empregos?

Porque se afronta tão indignamente a vida humana e familiar? O subsídio de desemprego é das tais medidas de protecção social que mais consensos gera em todos os quadrantes ideológicos e na população em geral, por mais brutais e enormes que sejam os impostos a que os Portugueses são obrigados.

Onde estão os políticos que sempre defenderam a doutrina social da Igreja?

Em Maio comemoram-se duas efemérides muito importantes: a publicação das Encíclicas Sociais da Igreja: a “Rerum Novarum” e a “Centesimus Annus”. Num contexto de grande confrontação social, onde as pessoas estavam à mercê de uns senhores desumanos e impiedosos e à mercê da cobiça desenfreada do sistema financeiro, a Igreja Católica não esteve à margem da grave questão social e Leão XIII apresentou ao Mundo a sua Doutrina Social, onde o pilar base assenta na defesa da dignidade da Pessoa Humana e da Família.

É actual revisitarmos alguns desses princípios, e tê-los sempre presentes deveria ser um imperativo daqueles que se dedicam à Respública. É o princípio da distribuição dos bens, a reafirmação do princípio da subsidiariedade, o facto da economia de mercado não se poder realizar num vazio institucional, jurídico e político, cabendo ao Estado entre outras coisas vigiar e orientar o exercício dos direitos humanos, com a preocupação de partilha, do amor ao próximo, de modo a que todos possam viver com dignidade humana.

A democracia ainda possibilita que cada um, no momento certo, possa decidir e ser dono da sua consciência.

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