Opinião – Cultura versus cultura

Posted by

M. Pignatelli Queiroz

O que li em AS BEIRAS do dia 7 deixou-me doente e indignado, apesar da longa experiência (negativa) de casos de idênticos malogros.

“A Capela e fonte de Sta Comba não têm valor patrimonial de âmbito nacional”, segundo a D.G. do Património Cultural (recente fusão de outros Organismos)…” 14 anos depois de ter sido iniciado o processo administrativo de classificação-agora arquivado”.

“A proposta de classificação do conjunto foi apresentada por um particular em 14 de Julho de 1998…”. Um “particular” e não antes?! Apetecia-me soltar um calão. Será que o “particular” foi o mesmo que colidiu com o processo de urbanização das “Colinas Norte do Vale de Meão”, pegado à Capela despoletando o processo e requereu, pela primeira vez (mais tarde seria os magníficos reitores Seabra Santos e Fernando Rebelo, desconhecedor das diligências iniciais, mas agora parceiro na desilusão…) a classificação do conjunto-antes de 1998? Que constatou, para além da “nota histórica-artística da autoria de Rosário Teixeira (pg.da IGESPAAR), que no interior existia um presumível túmulo, banhado em chapisco de cimento?…

Que referiu que uma Dama se tomou de amores por um cavaleiro que, chamado para longes guerras, juraram amor eterno e casariam no regresso?… Que a Dama esperou anos, junto à fonte, pelo seu amado, que morreria em combate?… Será que os serviços perderam o conhecimento, transmitido pelo “particular”, de quem roubou quase todos os azulejos e o local onde estiveram e agora alguém saberá onde estão?…

Finalmente, será que um Presidente de Junta, de Assembleia de Freguesia, anos Deputado à Assembleia Municipal, depois Deputado da Nação na X Legislatura, não será um “particular” com redobradas obrigações de Cidadania?… Será que o “particular” identificado como o autor deste texto, irá assistir a mais um atropelo aos seus contínuos esforços na Defesa do Património Cultural e do Ambiente, feitos em contactos permanentes de anos, com os organismos Centrais e Regionais daqueles dois domínios?… E logo quando este novo caso coincide com a saída do único Director do IGESPAAR/Sec. Estado da Cultura/Director Geral, de passagem, da recente fusão de Organismos Culturais, o Dr. Eliseo Summavielle, que sempre reconheceu e apoiou o esforço e o interesse na Defesa dos Verdadeiros interesses da Cultura!

E para finalizar, se “A partir de agora, deixa de existir a zona de protecção de 50m., a contar dos limites externos da fonte da Capela, porque não se salvaguardaram, nestes anos todos, o conjunto da fonte (que ninguém da zona me soube indicar onde estava, mas cujo conjunto foi quase totalmente destruído), e os pareceres sobre modificações nessa área?… Será que “interesses mais altos se levantaram”, como é habitual e não vamos conhecer os culpados, pelo menos por negligência?…

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.