Opinião – Capitular? Não! Governo? Que futuro?

Posted by

Norberto Canha

Em defesa do Governo.

Eu era contra as eleições antecipadas. Por isso é que manei, em formato electrónico, através dos presidentes ou secretários gerais dos partidos políticos, presidentes de câmaras, juntas de freguesia e cooperativas (ou seus órgãos representativos), o livro que um ano depois publiquei com o título “Amar Portugal, apelo ao senso, à verdade e ao reconhecimento. Contas aos netos”.

Defendi, então, e agora mais que nunca, que dado o país estar tão debilitado havia de constituir um governo de convergência nacional, em que todos os partidos políticos figurassem, com um pacto assinado, pacto de honra, de como iam proceder para tirar o país da tragédia em que ia cair e em que já estava e se encontra.

Era de opinião que deveria ser escolhido um primeiro-ministro que tivesse conhecimento das dificuldades da vida rural, da tragédia que minava o país e que a sua figura fosse um pouco semelhante a Sá Carneiro ou Mota Pinto. Tinha uma figura em mente. Fugiu aos contactos, perdeu-se tempo e oportunidade.

Eu chego a pensar que ainda bem que este afundar se verifica. Bateu-se no fundo. Temos que nos erguer! Temos que ter juízo! Há uma clivagem de geração. Chegou ao poder a geração do pós-25 de Abril – a que muito sabe (tem à disposição a internet). Mas, é produto da cultura da cidade, sabe conquistar o poder mas depois não sabe o que fazer dele. Isto passa-se em todos os partidos e não sei mesmo se não se passará em todas as filosofias e religiões.

Fui ouvir pessoas de grande prestígio e saber – quase todos de economia e direito. Tais como Víctor Bento (entre outros atributos, o de conselheiro do Estado), Avelãs Nunes, António Arnaut, Adriano Moreira, Carvalho da Silva, Miguel Júdice. Difícil arranjar melhor. Muito foi dito sobre a causa da crise, nada, que eu entendesse para a saída da crise. Velada ou encapotada, sobretudo de alguns elementos, a tónica que sobressaiu “é culpa do Governo”.

Será assim?

A culpa é de todos nós pelo que sucedeu e, progressivamente, a partir do 25 de Abril: Destruição da indústria, menorização da agricultura, facilitismo no ensino, aumento em avalanche dos empregos do estado, aumento da despesa pública…, direitos aumentando em flecha, deveres não respeitados; até se acabou com a tropa e com este acto perdeu-se a oportunidade de disciplinar a juventude e comprometeu-se a soberania nacional; cursos sem qualquer utilidade. Pensando os jovens que tendo um curso é responsabilidade do Estado arranjar-lhes emprego. E quando a um jovem se faz a pergunta o que espera da vida e dar à vida: limita-se na maior parte das vezes dizer: arranjar um bom emprego!”.

Não é isto que eu esperava que um jovem dissesse. Espero que se consiga transformar esta geração X, uma incógnita, em geração Y, uma certeza.

Eles têm mérito para isso! Tem que se encontrar uma forma diferente de ensinar e aprender. O pacto de Bolonha não será mais um retrocesso ao que se deva esperar do ensino?

Eu temo que seja!

Este molde não leva à produção de melhores profissionais, merecendo maior credibilidade.

Hoje impõe-se mais que nunca um Governo de convergência nacional. Deixemo-nos de responsabilizar só o Governo. Ele tem culpa, sim. Porque quem o constitui não tem preparação nem experiência para Governar e os quadros do Estado estão viciados nem estão capazes de informar, esclarecer, discutir e ajudar a sair da crise.

Em situação igual, estão todos os partidos, comentaristas e aspirantes ao poder. Unamo-nos. Deixemos de rir e sorrir “com a desgraça alheia”. Todos! Todos são responsáveis por esta desgraça. Deixem-se de querer o poder se não sabem o que fazer. As palavras leva-as o vento e a obra não estão aptos a fazer; como as vossas intervenções demonstram, mas o fenómeno é universal.

Senhor Presidente da República, cesse a sua apatia. A convulsão está em marcha. Actue.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.