Opinião – Assim vai Coimbra e Portugal

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Luís Vilar

Estive bastante tempo calado, sobre o corte dos plátanos na avenida Emídio Navarro, junto ao Parque da Cidade. Não porque discordasse da atitude do município, mas à espera que acabassem de cortar os que restam e, verdade seja dito, à espera que um qualquer cidadão viesse a terreiro defender o “ex-libris das árvores”.

De resto, tal como no passado defenderam o “ex-libris” do laranjal (local de ratazanas e lixo diverso), hoje transformado no Parque Verde do Mondego, a que alguns chamam “As Docas de Coimbra”.

Como diz o trovador: “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.

Um outro episódio, não menos insólito, na nossa cidade, é o “mamarracho” da ex-ponte da Portela, com um impacto ambiental deveras negativo para quem entra em Coimbra, pela Estrada da Beira.

Recordo-me de ter solicitado, na Câmara, que partes daquela ponte servissem para ligar o Lugar dos Palheiros a Casal de Misarela, tal como aconteceu com a ex-ponte da Portagem do tempo de Salazar que ainda hoje serve, na ligação ao Sobral Cid.

E, infelizmente, também me recorda a resposta do então Presidente da Câmara, Dr. Carlos Encarnação, devidamente acolitado pelo vereador da CDU: “ … não se preocupe Sr. Vereador, eu e o Sr. Vereador Gouveia Monteiro, temos um projecto pedonal para o local que vai apreciar …”

Estávamos em 2004: passaram, exactamente, oito anos, e todos os munícipes de Coimbra podem apreciar um novo “ex-libris”! Com alguma ferrugem, é certo, não servindo para nada, mas está, orgulhosamente só, feita a vontade da coligação que hoje governa a nossa cidade.

De igual modo, recordo-me da vergonha que se situa na entrada de Coimbra, pela Casa do Sal.

Sei, porque exercia funções de vereador e muita gente me procurava, que existiram dois projectos, quer para o terreno da antiga fábrica de curtumes (outro notável “ex-libris”), quer para o “maravilhoso” estacionamento com paredes de alumínio (mais um “ex-libris”) no início da avenida Fernão de Magalhães. Este último era um projecto para um Hotel de três estrelas, salvo erro.

Bom, mas passaram-se oito anos e, rigorosamente, nada.

Por hoje, fico-me por aqui, uma vez que já apresentei três bons exemplos, e tantos outros “ex-libris”. Para a próxima, uma vez que andei a ver as obras do Convento de S. Francisco e ainda não encontrei “a celebérrima chaminé” da fábrica que lá existiu, como era afirmado no ano de 2000.

Portugal. No ano de 2012, foi sujeito a uma carga fiscal e diminuição de regalias, nunca anteriormente vista, em particular na classe média.

Mas, em nome de sermos honrados e pagarmos aos nossos credores, os portugueses até foram aguentando.

Qual é o espanto de todos quando verificamos que o défice público não diminuiu, antes pelo contrário, aumentou, apesar de enorme austeridade a que os portugueses foram sujeitos.

Contudo, num rasgo próprio de “políticos com visão”, até contrariando o que diz o FMI, para já não falar de tantos outros como o Prémio Nobel da Economia, o Governo que tem Passos Coelho como treinador (será verdade?) e como capitão de equipa, o ministro Victor Gaspar, mantém a mesma estratégia e mesma táctica. Pior! Reforçam-na com mais austeridade, transformando o sistema fiscal num “assalto” aos bolsos dos Portugueses.

É um jogo perigoso porque, no final de Janeiro de 2013, quando os Portugueses receberem os seus ordenados, irão verificar a enormidade do referido “assalto”.

Até os deputados do PPD/PSD e do CDS-PP perceberam que se está a ir longe demais, mas esta forma de estar “orgulhosamente só” e autoritária do Governo, pode trazer consequências imprevisíveis no início do próximo ano, com convulsões sociais.

Só percebo este tipo de atitude, se o Governo não pretende governar até ao fim da legislatura, o que de todo em todo é de uma enorme hipocrisia e irresponsabilidade.

One Comment

  1. Bruno Ferreira says:

    Não sei se misturar alhos com bugalhos é estupidez ou ignorância. De qualquer forma, procurei, procurei e até fui capaz de ver alguma ligação entre as duas coisas. O sr. Luís Vilar tem aquela visão socialista de que o estado deve fazer tudo e mais alguma coisa. Curiosamente foi essa visão que nos trouxe até aqui… ao aumento de impostos e etc.. Custa admitir? Pois se quer respeito, dê-se a ele! Muito do que diz não faz quase sentido. Ainda bem que a Câmara não andou a gastar dinheiro com a grande parte desses projectos! Nós precisamos que se gaste dinheiro a dar condições para que tenhamos mais e melhores empresas e mais população. A consequência disso é mais dinheiro nos cofres do município que, por sua vez, ajudam a que, nessa altura, se façam algumas dessas ideias que o senhor julga fundamentais mas não são mais do que meras futilidades… Felizmente que quem decide não concorda consigo. Fico feliz com isso.
    E, a si, peço-lhe respeito. Pode falar mal da ponte da Portela, mas o futuro encarregar-se-à de me dar razão: não só a ponte não é um monte de ferrugem, como acha, como é bastante bonita e será uma excelente via pedonal + ciclável. Bem haja.

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