Opinião – Açores

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Luís Parreirão

É minha convicção que os portugueses conhecem mal o seu próprio país. E se isto é verdade no que respeita ao território continental português, ganha especial relevância quando nos referimos às Regiões Autónomas Insulares, especialmente aos Açores.

As últimas, e recentes, eleições regionais vieram chamar a atenção para esta região. Infelizmente muitos ficaram-se pela sua dimensão política imediata. Mas há algo de mais profundo e relevante no que se passou a 14 de Outubro. Foi, aliás, possível ver que muitos dos que comentavam os resultados eleitorais tinham uma noção muito difusa e superficial da realidade açoriana actual. Ou porque não perceberam a dimensão política e seriedade individual da transição efectuada, contrariamente ao eleitorado que as percebeu plenamente e as sufragou. Ou porque atribuíam à conjuntura nacional os resultados regionais, desconsiderando que nos actos eleitorais se avalia o trabalho feito e a verosimilhança e credibilidade dos compromissos para o novo mandato.

Mas, sobretudo, porque a governação regional dos Açores tem hoje uma dimensão de proximidade a par de uma dimensão estratégica que o decurso do tempo já vem demonstrando o acerto e que os próximos anos vão confirmar na plenitude.

Qualquer cidadão açoriano, ou quaisquer outros nisso interessados, conhecem hoje com clareza o essencial das políticas públicas e do seu impacto no futuro da região.

Sabe, por exemplo, que o Turismo é uma actividade muito relevante e em crescimento. Mas sabe, do mesmo passo, que dele fazem parte a relação com a natureza, a dimensão cultural, a valorização das paisagens únicas e a forte identidade regional, e que, também por isso, as autoridades fixaram um objectivo quantificado quanto ao número de camas da hotelaria regional que é, também, uma garantia de qualidade e sustentabilidade.

Sabe que a Universidade e os seus Centros de Investigação, distribuídos por três ilhas, são um pólo essencial para a inovação e para a formação de uma população que é mais jovem do que a média europeia.

Sabe que o futuro passará, em grande medida, pelas consequências da expansão da plataforma continental com todas as relevantíssimas consequências económicas e científicas decorrentes da exploração do oceano profundo.

Sabe também que a sua posição no Atlântico Norte é já hoje muito relevante para o apoio à actividade espacial e sê-lo-á ainda mais no futuro com o desenvolvimento do projecto europeu Galileo.

E sabe sobretudo que tudo isto acontece mantendo o equilíbrio entre o homem e a natureza e dinamizando e qualificando as actividades económicas tradicionais.

É talvez mais por causa deste tipo de motivações do que por causa de momentâneas oscilações conjunturais que os açorianos decidiram como se sabe.

Estando nos Açores, ou mesmo só indo lá , percebe-se melhor!

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