Ex-administrador dos CTT diz que está a ser julgado por razões políticas

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O antigo administrador dos CTT Manuel Carrasqueira Baptista disse esta quarta-feira, no tribunal de Coimbra, que está a ser julgado “por decisões políticas, única e exclusivamente”.

Manuel Batista, membro do conselho de administração dos CTT entre 2002 e 2005, é, segundo o Ministério Público (MP), coautor de cinco crimes de participação económica em negócio, e de um crime de gestão danosa.

No processo, que implica 11 arguidos, também estão envolvidos Carlos Horta e Costa, presidente do conselho de administração dos CTT durante aquele período, e Gonçalo Rocha, também administrador entre 2002 e 2005, época durante a qual a gestão destes responsáveis, segundo o MP, terá lesado os correios, em mais de 13 milhões de euros.

“As modificações que foram feitas nos CTT” pela administração da empresa, naqueles anos, “causaram mossa a várias pessoas”, afirmou Manuel Baptista, respondendo ao juiz presidente do coletivo, Manuel Figueiredo, quando este o questionou se ele sabia a razão pela qual estava em tribunal.

Com a nova administração da empresa, que entrou em funções, em 2005, “fui posto no quarto escuro”, sublinhou Manuel Baptista, que, instado pelo juiz, explicitou: “Não é uma imagem, fui posto numa sala sem janelas – nem no tempo do Estado Novo se fazia isto”.

Durante a sessão de hoje, em que apenas foi ouvido este arguido, Manuel Baptista assegurou não conhecer as empresas e pessoas que, em 2003, compraram dois edifícios dos CTT, à semelhança daquilo que também disse ao tribunal o antigo presidente dos correios, Carlos Horta e Costa.

A venda dos dois imóveis – um em Coimbra, na avenida Fernão de Magalhães, outro em Lisboa, na avenida da República – é um dos assuntos que está a ser julgado, desde segunda-feira, pelo tribunal de Coimbra.

“Não conhecia estes senhores nem fiquei a conhecê-los”, afirmou Manuel Baptista, referindo-se aos compradores (ou seus representantes) dos dois prédios, na sequência de questões levantadas pelo juiz presidente do coletivo.

“Não tive qualquer interferência” no negócio do prédio de Coimbra, nem “senti qualquer pressão”, disse Manuel Batista, acrescentado que, em relação ao imóvel de Lisboa, também não manteve quaisquer “contactos com a sociedade compradora”, não ficou “amigo de ninguém”, nem tentou “favorecer ninguém”.

Manuel Baptista – que, enquanto administrador dos CTT, era responsável pelos pelouros do património, imobiliário, distribuição, grandes centros de distribuição, frota, compras e sistemas de informação – defendeu que tanto a venda de um como de outro prédio foram bons negócios para os correios.

Sobre o facto de os CTT não terem pedido avaliações dos dois prédios, na altura da sua venda, Manuel Batista argumentou que os serviços da empresa consideraram não ser necessária essa diligência, pois as avaliações efetuadas, cerca de dois anos antes, eram anteriores ao 11 de Setembro de 2001, data a partir da qual se começou a registar “uma diminuição” da atividade no setor imobiliário.

“Em 2002/2003, a imobiliária já estava em recessão”, sustentou o arguido, partilhando a posição adiantada por Carlos Horta e Costa – sintonia que Manuel Batista assumiu, no início do interrogatório, afirmando ter uma “posição convergente, no essencial”, com as declarações do antigo presidente dos correios ao tribunal.

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