Fio de Prumo – Iluminações de Natal

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Luís Parreirão

Agora que vamos entrar num dos Dezembros mais frios dos últimos anos, talvez valha a pena pensar um pouco sobre as despesas de todos e cada um de nós e, sobretudo, sobre a despesa que é paga por todos nós.

Tanto mais que, importa recordá-lo aos mais distraídos, os portugueses vivem em austeridade há pelo menos quatro anos, vendo sucessivamente diminuir o seu rendimento disponível.

Ou porque recebem efectivamente menos pelo mesmo trabalho, ou porque pagam substancialmente mais pelos serviços que lhes são prestados pelos serviços públicos.

Releva ainda que começamos a chegar a um ponto de desesperado cansaço dos cidadãos e das suas finanças que impõe aos decisores públicos (e privados…) uma actuação no domínio do real mas, também, e de forma mais imediata, no domínio do simbólico.

Dito de forma clara e directa – não é possível ter o desemprego que temos, os índices de pobreza conhecidos, os incumprimentos bancários e as insolvências conhecidas, e continuar a ter algumas manifestações públicas, ou no espaço público, que contraditam violentamente o que os cidadãos sentem no seu dia-a-dia. Não é possível dizerem-nos que é necessário cortar quatro mil milhões de euros na despesa pública e, depois, continuarmos a assistir à realização de despesa que não é aceitável e/ou compreensível nas actuais circunstâncias.

Vamos tentar concretizar com alguns exemplos.

Iluminações de Natal. Será razoável admitir que quando há fome em Portugal, se gaste dinheiro em iluminações de Natal? Dirão alguns que não é muito, que não é por aí, etc… Vejamos, se cada município gastar 20 000€, o país gastará cerca de seis milhões, o que já é dinheiro. É o suficiente para, por exemplo, pagar a pensão anual a cerca de dois mil pensionistas do regime especial das actividades agrícolas.

O mesmo se diga das múltiplas festas que ocorrem, sobretudo no Verão, um pouco por todo o país e que até há alguns anos eram suportadas essencialmente pelos pagamentos dos cidadãos e hoje são integralmente suportadas por dinheiros públicos.

Por outro lado, dever-se-ia ponderar se o país está em condições de manter, na actual situação de penúria, a sua participação em missões militares no estrangeiro cujos encargos ascendem a cerca de oitenta milhões de euros/ano.

Dirão alguns que não é por aqui que resolvemos o nosso problema. Que o problema só se resolve nos “grandes agregados”. Não concordo. Poderá ser o caminho mais fácil, mais rápido e ideologicamente mais conveniente – não será seguramente o mais justo! A propósito, talvez seja chegado o momento de fazer um Orçamento de Estado de base zero – alguém está contra?

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