A questão não é, infelizmente, nova. É mesmo recorrente e tem sido levantada por diversas personalidades ligadas à autarquia, à universidade e a espaços culturais e patrimoniais da cidade. O facto, é que os atos de puro vandalismo continuam a multiplicar-se, atingindo espaços e edifícios tão emblemáticos como o Jardim da Sereia/Parque de Santa Cruz, o Colégio de Jesus ou o Museu Nacional de Machado de Castro.
E se estes atentados ao património preocupam os diversos responsáveis pela sua conservação, não deixam de indignar cidadãos comuns que, diariamente, são confrontados com mais “uns riscos e umas pinceladas indignas, a mancharem alguns dos nossos mais belos monumentos”. João Santos, reformado há anos e residente no coração da cidade, não dispensa um passeio diário, preferencialmente matinal – num percurso entre a Alta e a Baixa onde o DIÁRIO AS BEIRAS foi encontrá-lo –, e não se abstém de manifestar a sua “profunda” indignação.
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Infelizmente esta é a cultura e a arte que temos!!!
Quem faz isto só pode ser atrasado mental !
Como munícipe e contribuinte desta bela cidade prefiro que parte dos impostos que pago vão em favor de mais um vigilante e sua família (polícia municipal, segurança privado ou quem seja) do que para a recuperação dos imóveis públicos, uma e outra vez. Casos chocantes – que vêm de longe no tempo – são os sucessivos atentados à ponte pedonal Pedro e Inês e mobiliário urbano nas imediações. Comprar novos equipamentos e remover tintas, uma e outra vez, é menos rentável que prevenir, ajudando assim mais um funcionário, mais uma família que dele dependa. Apelo à equipa camarária por uma solução preventiva – a qual poderá passar por esta ideia – confiando na sua sensibilidade humana e de gestão para estes casos.
Se acham que é a “prevenção” e o aumento dos efectivos policiais que vão resolver estas situações, aconselho-vos a analisarem o problema de uma forma holistica. Isto é uma questão de valores! E numa sociedade que promove valores distorcidos em todos os aspectos (até mesmo nas escolas primárias quando promovem a competição), estes comportamentos são normais, adequados à realidade gerada. Não são polícias, nem leis, nem prisões, nem dinheiro, nem poder que vai mudar nada disto. É uma profunda mudança de valores. Economia Baseada nos Recursos, para quando? Quando já não tivermos o que comer? Ah… vamos comer as notas e as moedas que tanto amamos hoje, mas que NADA valem ou significam….
Os jovens do Rotaract andaram a pintar as paredes da universidade. Acho bem, pois é uma forma de marcar posição. Se me disserem que não resolve o problema, concordo plenamente, mas também penso que é infinitamente melhor que tar de braços cruzados a dizer que está mal e não fazer nada.
A verdade é que estes actos de vandalismo custam imenso ao turismo da cidade (imaginem o que dizem os turistas e suas fotos quando regressam às suas terras! Ninguém que os conheça e venha a ver isso anima-se de vir a Coimbra), assim como aos proprietários dos prédios, tanto para pagar os seguros (pois o vandalismo encaresse os prémios) como para vender os imóveis (cujos preços acabam por ser desvalorizados).
É preciso que a CMC e as autoridades policiais tomem já uma atitude para identificar os vândalos que cometem estes crimes de danos com tantas consequências sociais para que sejam perseguidos judicialmente. Doutro modo, é a ruína certa.