Álvaro Amaro
Duas datas marcantes. Uma de origem nacional e outra de cariz mundial. Ambas em nome de direitos a conquistar, sem dúvida.
A nossa e só nossa – 25 de Abril – pouco se explica na história moderna. É pena!
Bastou vermos algumas entrevistas, passadas num canal de televisão, a jovens portugueses. Tirando um ou outro – as excepções – foi de bradar aos céus o que muitos deles atribuíam a uma data com tanto significado. Será que a ignorância revelada é apenas culpa desses jovens?
Não acredito.
A culpa é nossa. Daqueles que por ele lutaram, dos que o viveram e dos que o sentiram com tanta alegria. Hoje respira-se o direito da liberdade então conquistada. Anteriormente tal inalienável direito era proibido. Tão simplesmente isso. Daí que custe a entender tanta análise, tanto debate e tantos comentários acerca das ausências na sessão comemorativa que tradicionalmente se realiza na Assembleia da República. Afinal de contas não foi mais nem menos do que o uso do tal direito de liberdade que cada um interpreta à sua maneira e no caso vertente sem pôr em causa o que quer que seja e quem quer que seja.
Sempre direi, por isso, que seria bem mais pedagógico para os tantos jovens a quem não se transmite o real significado de tal data, que se dedicasse algum tempo de antena ou mesmo de escola a esclarecer o sucedido e as suas razões.
Quanto ao mais, cada um é responsável pelos seus actos e a vida segue em plena liberdade.
Quanto à outra data – o 1º de Maio – também ela atingiu uma importância acrescida no pós-25 de Abril de 1974, ainda que, historicamente, constitua o dia da chamada luta dos trabalhadores. Entre nós tem assumido com as diversas manifestações o seu papel de momento de crítica e de reivindicação. Irá certamente continuar a ser assim.
Mas não há dúvida de que há momentos da nossa vida económica em que se impõe uma reflexão muito para além da simbologia da data. E este momento exigia isso mesmo.
Da esquerda à direita, creio que ninguém pode ignorar o diagnóstico feito por quem quer que seja, incluindo as instâncias internacionais.
Portugal não está bem economicamente. Todos o sabemos. Mais atentos ou mais distraídos, mais empenhados ou mais desinteressados, concluiremos sem dificuldade que atravessamos uma das maiores crises das últimas décadas.
E deste dia 1 de Maio de 2012 o que nos vai ficar na memória? Atrevo-me a indicar duas ideias.
Uma que foi referida pelo Primeiro-Ministro com particular desassombro relativa ao desemprego. Dizia Passos Coelho que ainda iremos assistir nos próximos anos a números de desemprego a que não estávamos habituados. Acrescento eu, que este sim, é mesmo um grande flagelo e que pena a Europa não “acordar” vivamente para ele.
A outra ideia foi lançada pelo líder da Intersindical, ao reivindicar o aumento do salário mínimo nacional. Seria justo, não tenho dúvidas, mas será razoável no momento que a economia atravessa? Infelizmente, creio bem que não. Mas se for, é bom sinal. Afinal seriam as evidências do início do fim da crise. Não quero alimentar o pessimismo, esse já basta pela realidade dos factos, mas não acredito que nestas datas tão importantes nos próximos anos seja possível proclamarmos com alegria e total liberdade o fim de tantos sacrifícios.
Ainda assim, trabalhemos e tenhamos esperança.
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