Seiscentos-e-doze?

Luís Parreirão

Por gosto e, também, por prudência, faço “a ” uma grande parte das minhas deslocações dentro da cidade.

E, quotidianamente, normalmente após o jantar, percorro da mesma forma partes diversas da cidade.

Os leitores que tiveram a paciência de ler estes dois parágrafos estarão certamente a perguntar-se em que é que as minhas caminhadas urbanas lhes interessam.

As caminhadas seguramente não lhes interessam. O que resulta das observações e reflexões que essas caminhadas proporcionam é que pode ter alguma relevância.

É que, descer o Cidral, percorrer a Dias da Silva, atravessar a Praça da República, ou a Baixa, a zona de Celas, ou da Solum, têm em comum a constatação da completa ausência de presença policial, pelo menos visível, com a correspondente sensação de insegurança que tal facto gera.

Conheço os argumentos e as explicações “oficiais”para o fenómeno – ou porque andam a fazer policiamento “à civil”, ou porque estão afectos a unidades de investigação, ou porque, ou porque…

Conheço os argumentos mas não os aceito!

Nada substitui a visibilidade dos agentes policiais.

Nada substitui a sensação de segurança que cada cidadão percepciona.

Nada substitui o efeito de prevenção e dissuasão que só se alcança com a presença física, em muitos casos obrigatoriamente ostensiva.

Presença pública tanto mais importante quando, e reporto-me aos dados oficiais nacionais de 2010, os crimes registados pelas autoridades policiais são “furto em veículo motorizado” e “furto em residência”.

Ao que consegui saber, os efectivos da GNR, PSP e Polícia Municipal afectos ao concelho de Coimbra totalizam 612 agentes. Sei, por experiência própria, que são genericamente homens e mulheres com elevada noção de serviço público. Até por isso o “deserto policial” em que as nossas ruas se transformaram não se compreende. Ou será que compreende?

Seiscentos e doze?!

One Comment

  1. Carlos Ferreira says:

    Polícia Municipal? Que é isso? Uma polícia criada para a multa? Obviamente que não faz nada sobre segurança. Dinheiros mal usados.

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